Os sindicatos europeus apelam aos decisores políticos para defenderem os elevados que servem de padrão ao modo de vida da Europa, na sequência de terem observado que vários grupos empresariais seguiram as pisadas da administração Trump e terem apelado a uma desregulamentação ao seu estilo – secundando assim o discurso do Presidente dos EUA em Davos.
Seguindo os passos das ordens executivas de Trump que enfraqueceram as proteções dos trabalhadores e do ambiente, a Confederação Europeia de Sindicatos alerta para um conjunto de propostas em cima da mesa que tenderão a degradar o lado social da Europa. Nela se inclui a retirada do direito à transparência salarial a dois terços dos trabalhadores, aplicando-o apenas às empresas com 250 ou mais trabalhadores.
As normas de segurança serão tendencialmente mais baixas, em particular no que diz respeito ao controlo dos sistemas de gestão de IA, que colocam os trabalhadores em risco, ou à comunicação sobre a produção, colocando em risco a reputação da Europa na produção de bens de elevada qualidade.
Por outro lado, alertam a federação sindical, cortar nas regras de carbono permitiria a ainda mais concorrentes globais importar produtos ‘sujos’ para a Europa, pondo em perigo não só o clima, mas também os empregos industriais ‘limpos’ na Europa.
Acabar com a diretiva sobre estágios quererá dizer acabar com um quadro que protege milhões de jovens de práticas de exploração numa altura em que o custo de 1.028 euros por mês de um estágio não remunerado exclui a classe trabalhadora de uma série de carreiras.
Esther Lynch, Secretária-Geral da Confederação Europeia de Sindicatos, afirmou, citado em comunicado oficial: “Donald Trump é a prova permanente de que, ao contrário do que alguns políticos em Davos possam pensar, os CEO não têm todas as respostas para os desafios que se colocam à nossa economia ou à nossa sociedade”.
“É por isso que os líderes da União devem ignorar os apelos de sereia dos lobistas corporativos para que a Europa siga Trump numa corrida global para o fundo que nunca poderíamos vencer e, em vez disso, defender o que torna a Europa grande”.
“A nossa competitividade será construída com base em elevados investimentos, elevados padrões e empregos de alta qualidade, não mantendo milhões de mulheres na pobreza, explorando estagiários, envenenando o clima ou colocando os trabalhadores em risco de gestão descontrolada da IA no trabalho”, conclui Esther Lynch.