“Setor imobiliário não quer privilégios. Quer colaborar com o Estado nos desafios da habitação”, diz presidente da APPII

Hugo Santos Ferreira defendeu o papel dos promotores imobiliários, considerando que estes são parte da solução e não do problema. "São eles que investem, que arriscam, que compram o terreno, que esperam e muitas vezes desesperam pelos licenciamentos", afirmou na abertura da 'VII Conferência da Promoção Imobiliária em Portugal'.

“Setor imobiliário não quer privilégios. Quer colaborar com o Estado nos desafios da habitação”, diz presidente da APPII
© Cristina Bernardo

Os promotores imobiliários querem continuar a ser parte da solução para resolver a crise de habitação em Portugal e querem fazê-lo em conjunto com o Estado e sem terem qualquer tipo de benefícios. “O setor imobiliário não quer privilégios, quer condições para fazer. Quer estabilidade para investir, quer previsibilidade para construir. Quer colaborar com o Estado na resposta aos desafios da habitação”, afirmou Hugo Santos Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), na abertura da ‘VII Conferência da Promoção Imobiliária em Portugal’, que decorre em Lisboa esta terça-feira.

Como tal, salientou que para continuar a responder aos desafios do país, os promotores imobiliários precisam de mais  estabilidade, previsibilidade e de um Estado” mais rápido, moderno e eficiente”.

“Sem incentivos à construção, não haverá aumento da oferta. Queremos mais condições para que possamos construir as casas que os portugueses podem pagar. Não basta pedir mais habitação, é preciso criar condições reais para que ela possa acontecer. A modernização do Estado não é um tema teórico para o setor, é uma urgência nacional”, realçou.

Entre essas medidas, o presidente da APPII enalteceu a descida do IVA à taxa reduzida a 6%, como uma conquista dos promotores. “Sabemos que ainda há dúvidas. Ainda não conhecemos toda a operacionalização da medida. Mas sabemos também reconhecer aquilo que ela representa um passo essencial e importante, um sinal positivo, um reconhecimento político de algo que o setor defendia há anos”, salientou.

Por outro lado, voltou a reforçar a necessidade de acelerar e simplificar os processos de licenciamento. “Cada mês perdido no licenciamento representa um investimento parado, representa menos oferta, representa famílias sem resposta, representa casas que não chegam ao mercado”, alertou.

Sobre a reforma do regime do arrendamento, Hugo Santos Ferreira acredita que apenas teremos mais casas para arrender quando os proprietários voltarem a ter confiança, porque sem ela não há investimento. “Sem segurança jurídica não há oferta. E é precisamente por isso que vemos como positivo este avanço na restituição da propriedade. Talvez finalmente comece a existir luz ao fundo do túnel”, afirmou.

O responsável defendeu o papel dos promotores imobiliários, considerando que estes são parte da solução e não do problema. “São eles que investem, que arriscam, que compram o terreno, que esperam e muitas vezes desesperam pelos licenciamentos. Apesar de todos estes constrangimentos, que são muitos pesados e duros continuam a acreditar no nosso país”, referiu, salientando que durante demasiado tempo o setor imobiliário foi tratado com desconfiança.

“Procurou transformar-se o promotor imobiliário no problema, quando na verdade, ele sempre foi parte da solução. Hoje, o setor é mais profissional e mais sustentável e mais tecnológico e está mais preparado”, concluiu.

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