Apesar do abrandamento económico global e da crescente sensibilidade dos consumidores ao preço, o luxo continua a destacar-se como um dos segmentos mais resilientes da indústria da moda, beneficiando sobretudo da recuperação do turismo internacional, da solidez do consumo e do dinamismo de mercados-chave como o Japão, a Índia e os Estados Unidos. De acordo com o relatório The State of Fashion 2025, elaborado pela consultora McKinsey o mercado deve crescer entre 1 a 3% por ano até 2027, uma desaceleração significativa comparada à média de 5% observada entre 2019 e 2023.
Os Estados Unidos devem emergir como o principal motor deste mercado, com projeções de crescimento entre 4% a 6% no período de 2025 a 2027. A China segue com uma expectativa de expansão entre 3% a 5%, enquanto a Europa deve registar um crescimento entre 2% a 4%. Dentro do universo do luxo, algumas categorias apresentam comportamentos distintos em termos de crescimento e relevância. Segundo o relatório, a moda e os acessórios de luxo mantêm-se como o maior segmento em valor absoluto, mas registam um crescimento mais moderado. A beleza surge como um dos segmentos de expansão mais rápida em 2025. Produtos como a cosmética e os perfumes desempenham um papel estratégico por funcionarem como porta de entrada para o universo das marcas de luxo, atraindo consumidores aspiracionais.
A joalharia e os relógios de luxo também apresentam uma dinâmica positiva, sustentada pela perceção destes bens como investimentos de valor duradouro. Em 2025, o crescimento nesta categoria é particularmente impulsionado pela procura nos mercados asiáticos, sobretudo na Índia, onde o peso cultural da joalharia, aliado ao crescimento da população de alto poder aquisitivo, reforça a sua relevância.
Os pequenos artigos de couro e as malas de luxo mantêm-se como produtos de entrada populares, mas enfrentam maior pressão competitiva tanto de novas marcas desafiantes como da proliferação de imitações. Ainda assim, continuam a desempenhar um papel central na estratégia das casas de luxo, funcionando como símbolos de identidade e desejo.
A China foi o grande motor do crescimento global de bens de luxo, contribuindo com 40% da expansão entre 2019 e 2023. No entanto, em 2024, o mercado chinês sofreu um forte desaquecimento devido às incertezas económicas e ao comportamento mais cauteloso dos consumidores locais, exigindo novas estratégias das marcas para manter a sua relevância. Em contrapartida, outros mercados asiáticos, como Índia, Japão e Coreia do Sul emergem como novos motores de crescimento.
Tendência de crescimento
De acordo com o estudo “Luxury Goods Worldwide Market Study”, estudo anual realizado pela Bain & Company e a Fondazione Altagamma (associação comercial dos fabricantes italianos de artigos de luxo), as despesas globais com o luxo devem registar um crescimento sólido de 4% a 8% por ano, passando dos atuais 1,5 biliões de euros para 2,5 biliões de euros até 2030. “As marcas devem concentrar-se na criatividade e na inovação para aumentar a relevância para os consumidores, com o objetivo final de continuar a expandir as suas bases de clientes, cultivando simultaneamente os amantes da marca”, informa o relatório.
Assim, antecipam “uma nova época de fusões e aquisições, nascida da necessidade de enfrentar os principais desafios da indústria – por exemplo, para apoiar o crescimento da categoria, expandir-se numa nova geografia ou assegurar o controlo de recursos críticos ou de know-how”. A liderança em sustentabilidade e a adoção de tecnologia continuarão a ser fundamentais, em particular, para redesenhar as configurações da cadeia de fornecimento para uma maior transparência, agilidade, resiliência e uma menor pegada de carbono.