Setor da energia aposta na transição digital e na IA

Segundo o mais recente estudo internacional da CGI, ‘Voice of Our Clients’, a transição digital e a IA são uma tendência no mercado neste momento, sendo que os “dados são a matéria-prima do século XXI”, de acordo com a opinião de João Ribeiro, vice president, Consulting Expert na CGI.

Setor da energia aposta na transição digital e na IA
JR_01

A Inteligência Artificial (IA) tem vindo a revolucionar vários setores, sendo uma prioridade para muitas empresas. Uma das áreas que tem apostado nesta tecnologia é o setor de energia e utilities.

Segundo o mais recente estudo internacional da CGI, ‘Voice of Our Clients’, a transição digital e a IA são uma tendência no mercado neste momento, sendo que “os dados são a matéria-prima do século XXI”, de acordo com a opinião de João Ribeiro, vice president, Consulting Expert da CGI.

“A ideia que nos tem sido passada pelos nossos clientes é que a IA está a obrigar a uma modernização tecnológica e a um acelerar da transição digital”, referiu ao Jornal Económico (JE) João Ribeiro. Apesar desta aceleração necessária, o vice president revela que “enquanto as organizações não têm os seus dados organizados, as suas aplicações modernizadas não estão a tirar partido dos novos mecanismos de IA”.

Esta tendência está a gerar “não só negócio na área e no desenvolvimento de ferramentas de IA, mas também na consolidação do parque aplicacional, para que as empresas estejam apetrechadas para dar este passo”, salienta João Ribeiro.

As empresas desta área regem-se por regulamentos muito apertados, pelo que esta transição tem de ser realizada com cautela. Para as utilities, a IA divide-se em duas áreas principais: uma é “nós trazermos mecanismos de IA que nos ajudem a fazer aquilo que já fazemos hoje, melhor e mais depressa, os chamados mecanismos de IA enablement”, refere o vice president.

Isto traduz-se, por exemplo, na aplicação de IA em chatbots, para ajudar os clientes, e na sua utilização para melhorar as performances dos técnicos no terreno. A outra área é aplicada no alargamento da abrangência de IA para as tarefas do dia a dia e para outras que surgem no contexto desta tecnologia. Esta aplicação nas empresas de utilities é utilizada, por exemplo, na manutenção de ativos, em “saber com a tecnologia como está a performance destes equipamentos”, revelou João Ribeiro.

“Este é um setor que gera um imenso número de dados, logo há uma base muito boa para ser explorada, quer nas operações internas, quer para os clientes finais”, explicou o vice president.

Em Portugal, esta transição está a par com a dos restantes países. “Estamos a falar de empresas nacionais que se comparam com as suas congéneres europeias e americanas, ou seja, não há uma diferença muito grande do ponto de vista de maturidade destes processos”.

“Este é um setor onde a Europa compara muito bem com os Estados Unidos, no sentido em que o setor energético europeu sempre andou um bocadinho à frente do americano. Por isso, as nossas empresas comparam muitíssimo bem com aquilo que são as tendências do mercado”, referiu.

O setor tem enfrentado vários desafios, sendo o principal a transição energética, a revisão das cadeias de valor do setor, uma vez que atualmente os clientes podem ser consumidores e vendedores, e a questão da aceleração da transição digital, uma vez que as empresas “têm de estar capazes de encaixar mecanismos de IA nas suas operações e forma de trabalhar”, refere João Ribeiro.

“As empresas têm realizado um investimento significativo na melhoria do seu ecossistema aplicacional, de forma a garantirem que estão preparadas para o que aí vem”, afirmou.

O principal desafio da transição que se vive nas empresas é “a dimensão da tarefa”, uma vez que estas geram muitos dados, e muitas vezes estes dados estão “espalhados por vários servidores”.

A regulamentação é outro desafio. “Em Portugal e na Europa, há algum cuidado na adoção de IA, porque tem de ser feito tudo consoante os regulamentos, e ainda existem áreas cinzentas”, explicou.

Segundo João Ribeiro, a IA poderá ajudar as empresas na transição energética de duas formas. “A IA é um consumidor muito significativo de recursos de energia. O que estamos a ver, principalmente, nas empresas desta área, é que não é suficiente dizer que o mecanismo de IA vai trazer aqui uma vantagem; elas têm de perceber quais são os recursos que este mecanismo está a consumir e que tipo de recursos são”, referiu.

“Daí vermos o aparecimento de data centers verdes, que são alimentados por energias limpas”, afirmou João Ribeiro. Desta forma, as empresas dizem “IA sim, mas como é um grande consumidor, querem ter a garantia de que essa energia é de energias limpas”.

Outra forma de a IA ajudar nesta transição é que os seus mecanismos podem “ajudar as empresas a produzir energia verde de forma mais eficiente”. “Hoje em dia existem mecanismos de seleção quanto ao tipo de energia a produzir ao longo do dia”, refere o diretor de Vice President, sublinhando que se tem visto um “grande investimento das empresas em modelos preditivos”.

Apesar desta vontade e desta ajuda que esta transição pode dar às empresas, o grau de industrialização ainda é “relativamente baixo”, ou seja, “os use cases chegam ao fim e ainda são poucos os que concluem que vale a pena instaurar esta solução”, explicou.

Sendo assim, ainda não há dados que possam prever quando é que este setor termina a transição. No entanto, é importante ressaltar que as empresas já estão no terreno a trabalhar para que esta aconteça.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.