São Tomé vai assinar com Portugal troca de dívida “por investimento climático”

Em declarações à Lusa, no Estoril, à margem da II Conferência de Energia da CPLP, Américo Ramos, primeiro-ministro são-tomense, afirmou que "estão já criadas as condições para a assinatura desse acordo de troca de dívida por investimento climático" com Portugal. Um acordo semelhante ao que Portugal assinou com Cabo Verde.

São Tomé vai assinar com Portugal troca de dívida “por investimento climático”
Américo Ramos

O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe anunciou hoje que o seu país vai assinar com Portugal um acordo de troca de dívida por “investimento climático” e destacou as redes de transporte de energia como projetos prioritários.

Em declarações à Lusa, no Estoril, à margem da II Conferência de Energia da CPLP, Américo Ramos afirmou que “estão já criadas as condições para a assinatura desse acordo de troca de dívida por investimento climático” com Portugal. Um acordo semelhante ao que Portugal assinou com Cabo Verde.

Américo Ramos adiantou que a parte legal e administrativa “já foi cumprida”.

A assinatura deste acordo, sublinhou o chefe do executivo são-tomense, vai permitir que o país utilize esses recursos que se destinavam ao pagamento da dívida a Portugal para financiar ações “no âmbito do ambiente e da energia”.

Em termos de prioridades, o primeiro-ministro de São Tomé e Princípe, que representa a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na conferência iniciada hoje no Estoril, lembrou que o seu país tem um programa de transição energética em curso e este novo financiamento também se destina a esse plano.

Quando questionado sobre projetos concretos, destacou “um projeto de energia limpa através de painéis solares” e investimento “nas redes de transmissão de energia, que são cruciais para que esse projeto seja efetivo e sustentável como se prevê”.

“Portanto temos a questão da produção energética, a do transporte e da distribuição de energia”, concluiu.

Também em declarações aos jornalistas hoje, à margem da conferência, a ministra portuguesa do Ambiente e Energia, Graça Carvalho, falou da assinatura em breve do acordo.

A conferência que começou hoje no Centro de Congressos do Estoril, em Cascais, Portugal, e se prolonga até quarta-feira foi promovida pelo Governo de São Tomé e Príncipe, que detém a Presidência em exercício da CPLP, e organizada pela Comissão Temática de Energia e Clima dos Observadores Consultivos da CPLP, coordenada pela Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER) e pela Associação de Reguladores de Energia dos Países de Língua Oficial Portuguesa (RELOP).

Este evento conta ainda com o apoio institucional da CPLP e do Ministério do Ambiente e Energia de Portugal, e com a parceria da Agência para a Energia de Portugal e da Câmara Municipal de Cascais.

Segundo a CPLP, além de ser “um momento de partilha dos últimos desenvolvimentos e projetos-âncora das transições energéticas de cada Estado-membro da CPLP, este evento pretende promover novas parcerias e oportunidades de investimento e financiamento”.

Recorde-se que foi durante a Presidência em exercício de Timor-Leste, em 2015, que teve lugar a primeira edição da Conferência de Energia da CPLP.

Dez anos depois, à margem da III Reunião de Ministros de Energia da CPLP, a II Conferência de Energia da CPLP reúne governantes, financiadores, empresários e especialistas do setor de energia da CPLP e de outras instituições internacionais.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP.

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