Salário já não é o mais valorizado para manter o trabalhador numa empresa

Ao invés, no recrutamento, 87% do talento é atraído pelo salário, mas 42% não aceitaria um novo emprego sem flexibilidade de local e 41% rejeitaria uma função sem flexibilidade de horário. São as principais conclusões do Workmonitor 2026, divulgado esta terça-feira, 20, pela Randstad.

Salário já não é o mais valorizado para manter o trabalhador numa empresa
9 em cada 10 profissionais consideram que o contacto pessoal é essencial num processo de recrutamento

O salário tem um papel fundamental na captação de talento, o mesmo não acontece na retenção. O Workmonitor 2026, divulgado esta terça-feira, 20 de janeiro, pela empresa de recursos humanos Randstad, revela-nos o peso destas duas realidades.

Para 51% dos profissionais em Portugal, o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional é o factor mais importante para se manterem na função atual. São mais do dobro dos 23% que priorizam a remuneração. Já a segurança no emprego é valorizada em primeiro lugar por 22% dos inquiridos.

A autonomia é outro fator muito valorizado. Metade dos talentos já abandonaram um emprego por não lhes ser concedida independência pelas chefias, sendo que mais de 40% rejeitaria uma nova oferta sem flexibilidade de horário ou local.

Em contrapartida, no recrutamento, 87% do talento é atraído pelo salário, mas 42% não aceitaria um novo emprego sem flexibilidade de local e 41% rejeitaria uma função sem flexibilidade de horário.

Os dados revelam ainda que 39% do talento em Portugal pretende seguir um percurso de carreira tradicional e linear, ao passo que 27% afirma preferir uma “carreira de portfólio”, com mudanças de setor e funções (38% globalmente).

Os indicadores de colaboração mostram que 65% do talento em Portugal possui uma relação forte com o seu gestor direto e 73% confia nos seus colegas.

Em particular, na Geração Z, mais de metade dos inquiridos (67%), disse preferir traçar o seu próprio percurso em vez de seguir uma hierarquia definida. Além disso, 50% revelou já ter abandonado um emprego por falta de independência concedida pelas chefias, embora 80% dos empregadores concordem que a autonomia aumenta o compromisso e a produtividade.

A produtividade é influenciada pela diversidade: 84% dos profissionais acreditam ser mais produtivos quando colaboram com diferentes perspetivas e 78% afirmam contar com pessoas de gerações distintas para alargar a sua visão.

O estudo inquiriu 26.000 profissionais em 35 mercados de trabalho, incluindo Portugal.

Ao nível da confiança existe de facto um desalinhamento entre empresas e profissionais. Em Portugal, 100% dos empregadores estão confiantes no crescimento para o próximo ano, mas apenas 46% do talento partilha desta visão, um valor abaixo da média global de 51%.

Do lado dos empregadores, 100% dos inquiridos destacam a diversidade geracional como uma alavanca de produtividade, enquanto 90%  afirma que o trabalho remoto ou híbrido tornou a colaboração mais desafiante.

Os dados indicam também que 70% dos profissionais procuram mais pontos de contacto com os seus empregadores devido à incerteza no mercado e 68% dizem estar mais dispostos a colaborar se os seus líderes o fizerem.

No que respeita o tema da inteligência artificial (IA), os dados mostram a existência de um gap grande entre empresas. Enquanto 89% das empresas em Portugal planeiam reforçar o uso de IA já nos próximos 12 meses, apenas metade dos profissionais (50%) acredita ter as competências necessárias para acompanhar esta tecnologia.

 

 

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