Referendo. União Europeia respeita “não” da Islândia e primeira-ministra fala em “vitória para a democracia”

Na base deste referendo estava a reabertura das negociações de adesão à União Europeia, tendo 52,8% dos islandeses respondido “não” e 47,2% “sim”. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, refere que "a Islândia continua a ser um dos parceiros de maior confiança da UE, através do Espaço Económico Europeu". Primeira-ministra islandesa, Kristrún Frostadóttir é pragmática e diz que "este Governo não retomará as negociações de adesão durante esta legislatura".

Referendo. União Europeia respeita “não” da Islândia e primeira-ministra fala em “vitória para a democracia”
Kristrún Frostadóttir

A Islândia rejeitou a reabertura das negociações de adesão à União Europeia (UE), num referendo que decorreu no último fim de semana, tendo as votações finais sido conhecidas no domingo 30, de agosto. À pergunta “A Islândia deve reabrir as negociações de adesão com a União Europeia?”, 52,8% (118.040 votos) dos islandeses responderam “não” e 47,2% (105.339 votos) “sim”, divulgados a televisão pública “RÚV”, recusando a retoma de um processo de adesão que tinha sido suspenso em 2013.

Apesar da Islândia já estar integrada na União Europeia através dos espaços Schengen e Económico Europeu este resultado acaba por ser um revés estratégico para a UE pela aproximação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ao Atlântico Norte, com controlo das pescas e da agricultura, que pesam 40% das exportações, bem como o interesse em adjudicar a Gronelândia.

O território autónomo dinamarquês vizinho da Islândia ganhou importância numa altura em que o Ártico é muito cobiçado devido aos minerais raros e novas rotas comerciais. As ameaças de Trump tiveram um impacto muito particular na Islândia, cuja defesa é assegurada pelos Estados Unidos e pela NATO.

Argumentos que para os votantes do “sim”, demonstravam que perante a postura dos Estados Unidos a Islândia estaria mais segura dentro da União Europeia. No entanto, a vitória do “não” revela que para a maioria da população, esses argumentos ainda não foram suficientemente fortes para superar as preocupações com a soberania e o controlo nacional.

Recorde-se que a Islândia tinha apresentado a candidatura de adesão à UE na sequência da crise financeira global de 2008, que levou ao colapso do setor bancário do país, sobrecarregado pela dívida soberana, mas  altura, a questão não foi levada a referendo.

No entanto, após anos de negociações, com a chegada ao poder de uma coligação eurocética, Reiquiavique enviou em 2015 uma carta a Bruxelas a informar que já não tencionava aderir ao bloco comunitário.

“Governo respeita e fala em “vitória para a democracia”

Esta recusa da Islândia em integrar a UE congela qualquer discussão sobre uma adesão islandesa pelo menos até 2028, altura em que termina a legislatura do governo de centro-esquerda da primeira-ministra social-democrata, Kristrun Frostadottir.

“Quero ser absolutamente clara: este Governo não retomará as negociações de adesão durante esta legislatura”, afirmou a primeira-ministra, em conferência de imprensa, citada pela AFP, depois de terem sido conhecidos os resultados da votação.

De resto, Kristrún Frostadóttir, considerou que a recusa decidida em referendo na Islândia para retomar as negociações para aderir à União Europeia foi “uma vitória para a democracia” e não “um revés”, sendo que antes da votação havia realçado que os islandeses deviam olhar para este referendo como uma oportunidade e não como uma decisão definitiva.

UE aponta Islândia como “parceiro próximo”

Da parte da União Europeia este resultado foi encarado com respeito e um reforçar da ideia de que a Islândia continua a ser um dos parceiros mais próximos e de maior confiança dos 27 Estados-membro.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, sublinhou, através do seu porta-voz, citado pela Efe, que “a UE respeita plenamente a decisão democrática do povo islandês” e reiterou que a Islândia “continua a ser um dos parceiros mais próximos e de maior confiança da UE”, nomeadamente através do Espaço Económico Europeu.

Segundo o porta-voz, António Costa trocou mensagens com a primeira-ministra da Islândia, Kristrún Frostadóttir, tendo ambos manifestado “o desejo de continuar a reforçar as relações entre a UE e a Islândia”.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.