A 7 de junho vai entrar em vigor em Portugal a diretiva europeia sobre a transparência salarial, que obriga as empresas e agências de recrutamento a divulgar faixas salariais nos anúncios de emprego.
Esta diretiva, 2023/970, representa uma transformação estrutural no mercado de trabalho, que tem sido marcado pela opacidade. De acordo com os dados da Hays, menos de 30% dos anúncios de empresa em Portugal dão qualquer referência salarial, um número que desce para 22% no caso das ofertas publicadas pelas agências de emprego.
Com a entrada em vigor desta diretiva, passa a ser obrigatório a divulgação salarial, deixa de ser permitido perguntar ao candidato quanto é que ganha atualmente e tanto as empresas como as agências de recrutamento podem ser responsabilizadas pelo incumprimento.
Paula Baptista, managing director da Hays Portugal, afirma que “estamos a assistir a uma mudança cultural que vai redefinir a relação entre empresas e talento. Num mercado cada vez mais competitivo e exigente, a transparência deixou de ser um “nice to have” e passou a ser um fator crítico de atração de talento por isso a clareza na proposta de valor é essencial para atrair, envolver e reter profissionais qualificados”.
Esta diretiva vai ser um desafio para as pequenas e médias empresas em Portugal, uma vez que não têm definidas faixas salariais. Segundo os dados do Guia Hays 2026, apenas 25% dos profissionais afirma que existem critérios definidos para aumentos salariais, e apenas 26% refere à existência de bandas salariais divulgadas internamente.
Os dados do Guia Hays salienta ainda que os critérios de decisão dos profissionais são cada vez mais claros, com 63% a valorizar o pacote de benefícios, 56% o ambiente de trabalho e 47% um projeto desafiante. Mas a remuneração continua a ser o fator decisivo.
A transparência salarial é mais do que uma obrigação legal. As empresas que conseguirem antecipar esta mudança e comunicar de forma clara e consistente a sua política salarial estarão mais bem posicionadas para atrair talento. A transparência gera confiança, e a confiança é hoje um dos principais ativos no mercado de trabalho”, acrescenta Paula Baptista.
A Hays salienta que a diretiva vai ter um impacto direto nas áreas de recursos humanos, que vão ter de estruturar bandas salariais e critérios de progressão, rever políticas internas de compensação e benefícios, garantir consistência entre comunicação e práticas internas e integrar dados salariais em processos de reporting e análise.
As empresas têm apenas uns meses para implementar esta diretiva, pelo que a Hays recomenda que as empresas revejam os modelos de anúncios, formem equipas de recrutamento para novas práticas, estruturem políticas salariais consistentes e auditáveis e que apostem numa comunicação transparente com candidatos e colaboradores.