O primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, acusou a aliança de segurança para a região de Nagorno-Karabakh, dominada por Moscovo, de deixar o seu país sem fornecimento de gás e de não promover o fim das hostilidades com o vizinho Azerbaijão. Pashinyan tem criticado repetidamente o que descreveu como o fracasso da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, ou CSTO, em proteger a Arménia, membro da aliança, face ao impasse com o Azerbaijão sobre a região, pretendida pelos dois países – ambos fazendo parte da antiga União Soviética.
A Rússia, que tem procurado preservar fortes laços com a sua aliada Arménia, ao mesmo tempo em que mantém relações amistosas com o Azerbaijão, rico em energia, envolveu-se num delicado ato de equilíbrio diplomático, evitando qualquer ação enérgica sobre qualquer um dos dois países em litígio. A influência do Kremlin na região tornou-se mais limitada à medida que a Rússia concentrou os seus recursos na guerra na Ucrânia.
Pashinyan disse numa conferência de imprensa noticiada pelas agências internacionais que “não é a Arménia que está a sair do CSTO, mas, ao contrário, o CSTO está a sair da Arménia, queira ou não”. “Estamos preocupados com isso”, disse.
“A ameaça de uma escalada ao longo da fronteira da Arménia e em Nagorno-Karabakh é muito forte”, dada “a retórica cada vez mais agressiva do Azerbaijão”.
As tensões entre a Arménia e o Azerbaijão aumentaram em dezembro, quando manifestantes do Azerbaijão alegando serem ativistas ambientais bloquearam o chamado corredor Lachin, a estrada principal entre a Arménia e Nagorno-Karabakh (atravessando o Azerbaijão), deixando os seus cerca de 120 mil residentes sem comida e outros fornecimentos básicos. No mês passado, o mais alto tribunal das Nações Unidas ordenou ao Azerbaijão que permitisse a retomada da livre-circulação ao longo da estrada, mas a situação permanece tensa, segundo relata a imprensa internacional.
Em 2020, as tropas do Azerbaijão derrotaram as forças arménias em seis semanas de combates que terminaram com um acordo de paz mediado pela Rússia, permitindo ao Azerbaijão tomar uma parte significativa de Nagorno-Karabakh e recuperar áreas próximas que estiveram nas mãos dos arménios durante quase duas décadas. O Azerbaijão foi desde sempre apoiado pela Turquia. Refletindo, a Arménia cancelou um exercício militar planeado por membros do CSTO para este ano e absteve-se de nomear seu representante para a liderança do bloco.
Pashinyan disse que referiu as preocupações arménias numa ligação que fez esta segunda-feira para o presidente russo, Vladimir Putin. Pashinyan afirmou recentemente que daria as boas-vindas a outros países que quisessem mediar a questão de Nagorno, nomeadamente os Estados Unidos e Alemanha. Mas o certo é que a União Europeia já quis tomar o assunto em mãos e também não chegou longe – até porque essa ‘intromissão’ não é com certeza do agrado da Rússia.