A economia da Suécia pode estar em vias de uma crise imobiliária, levantando fantasmas do passado, que mergulharam o país numa crise durante a década de 1990, de acordo com a “Reuters”.
A “Reuters” lembra que a crise imobiliária enfrentada pelo país, durante a década de 1990, foi provocada pela febre da aquisição de propriedade habitacional, que decorreu na década anterior, que no final acabou em colapso, levando ao resgate de dois bancos, e mergulhando o país em recessão.
Contudo, depois do abanico na economia sueca veio um período de recuperação que provocou um aumento do valor da habitação levando a que, por exemplo, um T1 se situasse acima dos 383 mil euros.
Mas este fulgor do mercado imobiliário parece ter chegar ao fim, tendo em conta o abrandamento verificado nas vendas de habitação. O presidente executivo do banco Swedbank, Jens Henriksson, citado pela publicação, confirmou que o mercado imobiliário atualmente “está quase parado”.
A “Reuters” acrescenta que empresas de média dimensão que operam no mercado imobiliário estão atualmente a enfrentar problemas causados pela sua exposição à dívida.
Um desses casos é o SBB, um grupo imobiliário avaliado em 11 mil milhões de euros, que contraiu diversos empréstimos com o intuito de adquirir propriedades públicas, como habitação social, edifícios governamentais, escolas, hospitais, esquadras de polícia, e que agora enfrenta falta de liquidez.
A “Reuters” refere que a aquisição de propriedade imobiliária representa 80% da dívida das famílias suecas.
A mesma publicação sublinha que o aumento dos custo dos empréstimos tem provocado uma queda nos preços da habitação, de cerca de um quinto desde o pico verificado em março de 2022.
A “Reuters” lembra que, durante a década de 1990, o governo sueco emitiu garantias com o objetivo de recuperar a confiança da população, tendo em conta a crise enfrentada pelo sector. A diretora-geral do gabinete sueco responsável pela gestão da dívida, Karolina Ekholm, disse que o país tem capacidade financeira para intervir se existirem problemas ao nível da habitação.
Karolina Ekholm sublinhou que o baixo peso da dívida do país leva a que a Suécia possa contrair empréstimos para intervencionar no mercado imobiliário se existirem sinais de uma crise. Também o presidente do Swedbank garantiu que o banco estaria preparado para dar resposta num cenário de crise, adquirindo a propriedade para depois vendê-la.
O diretor financeiro do Handelsbanken, Carl Cederschiold, lembrou, citado pela mesma publicação, que na crise de 1990, o sector pegou nas garantias que tinha em termos de imobiliário, para depois vender essas propriedades.
Já o diretor financeiro do banco SEB, Masih Yazdi, afastou a possibilidade de a instituição ter qualquer tipo de problema a nível do sector imobiliário. Ainda assim, Yazdi referiu que o SEB tem capacidade para enfrentar uma possível crise no sector da habitação.