Nova crise imobiliária levanta fantasmas do passado na Suécia

A Suécia pode voltar a enfrentar uma crise no sector imobiliário, tal como aconteceu na década de 1990, devido ao arrefecimento que se faz sentir nas vendas de habitação.

Nova crise imobiliária levanta fantasmas do passado na Suécia
2017 - 2º lugar / 2016 - 3º lugar

A economia da Suécia pode estar em vias de uma crise imobiliária, levantando fantasmas do passado, que mergulharam o país numa crise durante a década de 1990, de acordo com a “Reuters”.

A “Reuters” lembra que a crise imobiliária enfrentada pelo país, durante a década de 1990, foi provocada pela febre da aquisição de propriedade habitacional, que decorreu na década anterior, que no final acabou em colapso, levando ao resgate de dois bancos, e mergulhando o país em recessão.

Contudo, depois do abanico na economia sueca veio um período de recuperação que provocou um aumento do valor da habitação levando a que, por exemplo, um T1 se situasse acima dos 383 mil euros.

Mas este fulgor do mercado imobiliário parece ter chegar ao fim, tendo em conta o abrandamento verificado nas vendas de habitação. O presidente executivo do banco Swedbank, Jens Henriksson, citado pela publicação, confirmou que o mercado imobiliário atualmente “está quase parado”.

A “Reuters” acrescenta que empresas de média dimensão que operam no mercado imobiliário estão atualmente a enfrentar problemas causados pela sua exposição à dívida.

Um desses casos é o SBB, um grupo imobiliário avaliado em 11 mil milhões de euros, que contraiu diversos empréstimos com o intuito de adquirir propriedades públicas, como habitação social, edifícios governamentais, escolas, hospitais, esquadras de polícia, e que agora enfrenta falta de liquidez.

A “Reuters” refere que a aquisição de propriedade imobiliária representa 80% da dívida das famílias suecas.

A mesma publicação sublinha que o aumento dos custo dos empréstimos tem provocado uma queda nos preços da habitação, de cerca de um quinto desde o pico verificado em março de 2022.

A “Reuters” lembra que, durante a década de 1990, o governo sueco emitiu garantias com o objetivo de recuperar a confiança da população, tendo em conta a crise enfrentada pelo sector. A diretora-geral do gabinete sueco responsável pela gestão da dívida, Karolina Ekholm, disse que o país tem capacidade financeira para intervir se existirem problemas ao nível da habitação.

Karolina Ekholm sublinhou que o baixo peso da dívida do país leva a que a Suécia possa contrair empréstimos para intervencionar no mercado imobiliário se existirem sinais de uma crise. Também o presidente do Swedbank garantiu que o banco estaria preparado para dar resposta num cenário de crise, adquirindo a propriedade para depois vendê-la.

O diretor financeiro do Handelsbanken, Carl Cederschiold, lembrou, citado pela mesma publicação, que na crise de 1990, o sector pegou nas garantias que tinha em termos de imobiliário, para depois vender essas propriedades.

Já o diretor financeiro do banco SEB, Masih Yazdi, afastou a possibilidade de a instituição ter qualquer tipo de problema a nível do sector imobiliário. Ainda assim, Yazdi referiu que o SEB tem capacidade para enfrentar uma possível crise no sector da habitação.

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