A exposição dos bancos europeus ao sector do imobiliário comercial poderá minar a estabilidade financeira caso a economia venha a ser atingida por um choque maior.
Esta é uma das conclusões e alertas deixados pelo Banco Central Europeu (BCE) na sua análise financeira que será divulgada na quarta-feira, mas cujo alguns excertos vão sendo conhecidos, tal como revela o “El Economista”.
De acordo com o BCE, os mercados imobiliários comerciais “têm o potencial de amplificar significativamente um cenário adverso, aumentando a probabilidade de ocorrência de perdas sistemicamente relevantes no sistema bancário”.
Recorda o Banco Central Europeu que o sector do imobiliário comercial tem sido um dos ativos mais afetados pelo rápido aumento das taxas de juro, dado que os promotores estão a ter dificuldades com a menor procura por espaços de escritórios no pós-pandemia.
Em Portugal, o investimento em imobiliário comercial registou uma quebra de 46% para mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano face ao período homólogo de 2022, segundo os dados do relatório ‘Market Pulse’ da consultora JLL.
Desta verba, 275 milhões de euros foram investidos no terceiro trimestre, com o segmento da hotelaria a ser responsável por 39% do volume deste investimento, impulsionado pela aquisição de um portefólio de hotéis, que representou perto de um quarto do volume total.
Já o retalho teve um peso de 36% relacionado com a operação de compra de um portefolio com 40 supermercados. Os clientes internacionais foram responsáveis por 70% dos investimentos realizados.