Os EUA estão a perder terreno para a Rússia e China no que diz respeito ao comércio mundial de produtos petrolíferos. Na origem está a queda das boas relações que existiam entre os norte-americanos e a Arábia Saudita, os dois maiores exportadores de petróleo à escala global.
De acordo com o diário espanhol “El Economista”, as relações bilaterais entre Washington e Riade chegaram ao fim e a situação tornou-se mesmo diametralmente oposta aquela que existia, já que Arábia Saudita e Rússia estão agora mais próximos, reconhecendo que os seus interesses relativamente ao sector do petróleo estão mais alinhados do que nunca, numa intenção de ver a produção reduzida.
Segundo avança a “Bloomberg”, a aliança petrolífera entre os dois países tem consequências para a economia mundial e em particular um forte impacto na norte-americana. No último verão, o presidente norte-americano, Joe Biden, visitou a Arábia Saudita, em busca de negociar um aumento da produção de petróleo. Porém, não só não alcançou o que pretendia como a OPEP+ já por duas vezes decidiu pela redução da mesma.
A mais recente foi conhecida no início de abril e fez subir o preço do barril de petróleo em cerca de cinco dólares, mas os aumentos podem não ficar por aqui.
Ao mesmo tempo, a China ganha espaço no sector do petróleo. Isto porque a Arábia Saudita pretende normalizar as relações com o vizinho Irão – que tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo, ainda que não esteja entre os principais exportadores – e, para isso, conta com o auxílio de Pequim para que seja estabelecido um acordo entre as duas partes. Os EUA ficam de fora das negociações, o que significa que o Ocidente vive o seu menor peso no mercado petrolífero das últimas décadas.
Com a economia mundial ainda muito dependente dos combustíveis fósseis, os próximos desenvolvimentos podem ter grande importância, nomeadamente porque está em jogo a variação do preço do barril de petróleo.