Pequim vai levantar proibição de viagem a fundadores de empresa de IA após anulação de venda à Meta

Esta semana, a Manus anunciou que voltará em breve a operar como uma empresa independente. "Isto faz parte do nosso processo de separação da Meta; temos de dar este passo para cumprir os requisitos regulamentares em determinadas regiões do mundo", esclareceu a empresa no seu portal na passada terça-feira 11 de agosto.

Pequim vai levantar proibição de viagem a fundadores de empresa de IA após anulação de venda à Meta
Homem & Máquina

Pequim planeia levantar a proibição de viagem imposta aos fundadores da empresa de inteligência artificial (IA) Manus, após a empresa cancelar da sua aquisição de 2 mil milhões de dólares (1,84 mil milhões de euros) pela Meta, reportou o jornal Financial Times.

Segundo o jornal britânico, Xiao Hong, presidente executivo e cofundador da Manus, informou recentemente os colaboradores de que tenciona regressar em breve a Singapura, onde está sediada a plataforma.

Xiao e outros elementos da direção da Manus, incluindo o cientista-chefe Ji Yichao, foram impedidos de sair da China após terem sido intimados a deslocar-se a Pequim em março, devido a uma investigação iniciada pelas autoridades chinesas à venda da start-up à gigante tecnológica norte-americana Meta, com o objetivo de determinar se tinham sido violadas as regras de investimento.

Esta semana, a Manus anunciou que voltará em breve a operar como uma empresa independente. “Isto faz parte do nosso processo de separação da Meta; temos de dar este passo para cumprir os requisitos regulamentares em determinadas regiões do mundo”, esclareceu a empresa no seu portal na passada terça-feira 11 de agosto.

O plano de anulação da venda necessitará da aprovação final dos reguladores liderados pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o organismo de planeamento estatal da China que em abril bloqueou a compra por parte da Meta.

O jornal reportou, citando fontes não identificadas, que os reguladores em Pequim garantiram à Manus que as suas operações comerciais não serão afetadas assim que o acordo de anulação for resolvido de forma a satisfazer todas as exigências.

No âmbito do acordo de anulação, a maioria dos antigos investidores da Manus — incluindo a Tencent, a ZhenFund e a empresa de equidade privada HSG —, juntamente com a equipa de gestão, irá recomprar a empresa à Meta com base na mesma avaliação de cerca de 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,84 mil milhões de euros), avançou o Financial Times (FT) no mês passado.

O fundo de capital de risco norte-americano Benchmark, bem como alguns investidores de menor dimensão, não participarão na recompra. As suas participações serão maioritariamente adquiridas pela Tencent, que se tornará o maior acionista da Manus.

Ainda assim, a Tencent terá apenas uma participação minoritária e a Manus continuará a operar de forma independente a partir de Singapura, em vez de ser integrada na tecnológica chinesa.

Apesar de ter estado sob investigação, a Manus continuou a atualizar ativamente a sua plataforma e prevê lançar a versão 2.0 pouco depois de o acordo de anulação estar concluído, revelou uma das fontes. Espera-se que a sua receita anual recorrente se mantenha acima dos 300 milhões de dólares (276 milhões de euros) após a separação da Meta.

A Meta adquiriu a Manus em dezembro do ano passado, poucos meses depois de a empresa ter mudado a sua sede e os seus principais engenheiros da China para Singapura. A gigante norte-americana integrou rapidamente a Manus na sua plataforma, incluindo nos seus sistemas de publicidade.

Em abril, a China ordenou à Meta que anulasse a aquisição, alegando a violação das regras de investimento. Pouco tempo depois, a Meta iniciou a separação das operações e interrompeu a partilha de dados, como o FT noticiou anteriormente.

A ordem de anulação deste negócio serve como um aviso para outras empresas tecnológicas chinesas contra a utilização de Singapura como ponto de transição para eventuais vendas a compradores estrangeiros.

De modo a fechar esta lacuna legal, Pequim está também a considerar incluir a tecnologia de agentes de IA na sua próxima lista atualizada de controlo de exportações, informou o FT no mês passado.

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