Colocar o PSD como o partido moderado, em contraponto com o PS, sobretudo numa possível liderança de Pedro Nuno Santos. Tem sido esta a principal mensagem, além da união do partido, que o PSD se tem esforçado por passar no 41.º Congresso do partido que está a decorrer este sábado em Almada. E Paulo Rangel, primeiro vice-presidente, respondeu à chamada e insistiu no tom.
No seu discurso perante os delegados, e ex-adversário de Montenegro (com quem disputou eleições) e agora membro do núcleo-duro, Paulo Rangel disse ao país que só existem duas alternativas: “Ou manter o PS ou moderar para o PSD”. A tónica está dada e começou logo de manhã, quando no seu discurso Luís Montenegro acusou Pedro Nuno Santos de radicalismo, comparando-o até com o “gonçalvismo” e acusando o PS de ter “saltado o muro” para o extremismo.
Ao encostar à PS à esquerda e Pedro Nuno Santos aos radicais e extremistas, o PSD acena com o papão da gerigonça para ganhar mais espaço ao centro, cativando o eleitorado de centro-esquerda desiludido e que nunca viu com bons olhos a aliança com o PCP e BE, que o próprio Pero Nuno Santos já admitiu poder reeditar. Cavalgar esta possibilidade tem sido a tónica dominante em muitos discursos no conclave e em declarações nos seus bastidores, sempre com um pano de fundo: fazer aparecer o PSD como o partido moderado.
“A encruzilhada em que o país está hoje é digna de um 25 de Novembro”, atirou Paulo Rangel no início da sua intervenção, já depois de o presidente do partido ter dito que o “fanático” da gerigonça, leia-se Pedro Nuno Santos, era o novo “camarada Vasco”, numa referência a Vasco Gonçalves, o líder do executivo durante o PREC, que teve fim com o 25 de Novembro.
O eurodeputado disse que aceitou o convite de Luís Montenegro para fazer parte da direção do partido porque acreditou no líder e defendeu que no último ano o partido tem apresentado propostas “alternativas” às do PS em áreas como a educação, saúde e impostos. “Eu acredito”, disse. No quê? Em Luís Montenegro, na sua possível vitória em março de 2024 e que será o PSD a “restaurar o prestígio das instituições”, que segundo o vice-presidente foi abalado pelos socialistas. “Onde anda a ética republicana do PS?”, questionou.
Sobre coligações, que tem sido um dos temas do congresso, Paulo Rangel abriu um pouco a porta, dizendo que o partido “está pronto” para fazer uma alternativa com uma equipa recrutada entre os quadros do partido, da sociedade civil e gente que esteve noutros partidos e não esteve em partidos”.