Pacote de habitação. “Medidas incapazes de travar a espiral em crescendo da crise em Portugal”, aponta Associação de Inquilinos Lisbonenses

Em comunicado, a associação considera que "se continua a não regular, registar e fiscalizar o mercado de arrendamento, permitindo a informalidade (contratos não manifestados na AT e sem pagarem impostos), a clandestinidade, a insegurança, a selvajaria, a especulação e a irresponsabilidade que grassam no mercado".

Pacote de habitação. “Medidas incapazes de travar a espiral em crescendo da crise em Portugal”, aponta Associação de Inquilinos Lisbonenses
habitação casas

A Associação de Inquilinos Lisbonenses (AIL) defende que as propostas para a habitação aprovadas no Parlamento na última sexta-feira, 9 de janeiro, não vão resolver o problema que existe no país. “A insistência na fiscalidade, com diversos benefícios e isenções fiscais, como solução para os problemas da habitação não se tem traduzido na descida dos preços, seja no arrendamento seja na compra”, refere em comunicado esta segunda-feira.

Como tal, a entidade liderada por António Machado considera que este novo conjunto de medidas se revelam “comprovadamente incapazes de travar a espiral em crescendo da crise da habitação em Portugal e que parece imparável, sendo o Governo o principal impulsionador dessa mesma crise”.

A AIL salienta que existe uma ausência de medidas concretas e necessárias para captar as cerca de duzentas mil casas vagas e devolutas com o mínimo de condições de habitabilidade para o mercado de arrendamento. “É uma grave insuficiência e também demonstrativa da proteção excessiva e injustificada à propriedade”, aponta.

Sobre as rendas moderadas até 2.300 euros, a associação sublinha que tal medida indicia e justifica um impulso para o crescimento das rendas resultante do benefício fiscal que lhes será concedido em sede de IRS, passando a deduzir 10% em taxa liberatória, entre outros benefícios como sejam isenções de IMI e redução do IVA em obras realizada.

A AIL deixa também críticas aos contratos de arrendamento, nomeadamente a continuada ausência de garantias de estabilidade, com a obrigatoriedade contratual de um período mínimo e suas renovações e o impedimento de fazer cessar os contratos sem justo motivo.

A associação considera que “se continua a não regular, registar e fiscalizar o mercado de arrendamento, permitindo a informalidade (contratos não manifestados na AT e sem pagarem impostos), a clandestinidade, a insegurança, a selvajaria, a especulação e a irresponsabilidade que grassam no mercado”.

Perante toda esta situação, a AIL deixa sete pontos que considera fundamentais para resolver a crise na habitação. A regulação, registo e fiscalização do mercado; segurança jurídica do arrendamento; seguros de renda eliminando cauções e outras garantias abusivas, excessivas e desnecessárias; estimular o arrendamento com contratos duradouros, renováveis e com rendas comportáveis; captar casas vagas e devolutas e aumentar a construção de habitação pública; a resolução dos incumprimentos na esfera judicial extinguindo o BAS-Balcão do Arrendamento e do Senhorio e numa fiscalidade para os arrendatários habitacionais que contemple: a dedução de todas as rendas habitacionais, sem exceções, independentemente do ano da celebração do contrato ou do valor da renda, a atualização do montante da dedução dos atuais 15% para o mínimo de 20% face ao valor crescente das rendas, a atualização do limite mínimo da dedução para duas vezes o valor do Indexante dos apoios sociais, e a dedução dos gastos realizados com obras nos locados arrendados em substituição dos senhorios, quando devidamente autorizadas, nos mesmos moldes em que estes os deduzem.

Relacionado

Pacote de habitação. Imobiliário pede rapidez na aprovação do diploma para tornar descida do IVA uma realidade

Pacote de habitação. Imobiliário pede rapidez na aprovação do diploma para tornar descida do IVA uma realidade

Rodolfo Alexandre Reis12 Jan
Depois do Parlamento ter aprovado as propostas do Governo, Manuel Maria Gonçalves, CEO da Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários quer que o diploma avance "com regras claras, simples e sem ambiguidades". Por sua vez, Patrícia Barão, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal acredita que este pacote fiscal "vai incentivar a promoção imobiliária à construção para a venda e arrendamento a valores moderados".
Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Rodolfo Alexandre Reis13 Jul
Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são "minúsculas" e que mesmo em relação ao despejos "falta muito por esclarecer". Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que "a parte mais fraca ainda fica mais fraca".