Otimismo derrotado em Davos num mundo com medo da recessão

Se, por um lado, os decisores políticos tentam transmitir uma mensagem de confiança e segurança institucional, a verdade é que o tom dominante em Davos foi pesado e sombrio, com as perspectivas de médio prazo toldadas pela crescente tensão geopolítica e económica global. O bloco ocidental continua a tentar resistir à influência chinesa, mas o crescimento próximo de zero esperado para Estados Unidos e zona euro neste ano podem dar novo fôlego ao gigante asiático, que prossegue com as suas operações de charme nos palcos internacionais.

Otimismo derrotado em Davos num mundo com medo da recessão
Valeriano Di Domenico/FEM

Ao contrário do tom que costuma prevalecer nos diversos encontros do Fórum de Davos e nos discursos e comunicados que de lá saem – de intenso optimismo perante os desafios que todos os anos se vão renovando –, o ‘sumário’ é no mínimo perturbador: o otimismo deu lugar a um pessimismo consistente, que se foi consolidando à medida que as intervenções se foram multiplicando, e em alguns casos repetindo.

A própria organização do fórum disso deu nota sem rodeios: o estudo que costuma fazer ao longo dos dias de trabalho na pequena estância suíça dão nota que apenas cerca de 30% dos economistas que lideram organizações (tanto públicas como privadas) são capazes de dizer que estão convencidos que não haverá em 2023 uma recessão global.

Entre os restantes 70%, os pessimistas (também conhecidos por optimistas esclarecidos), há um bloco de 18% que asseguram que não só haverá uma recessão, como esta será profunda e demorada, com as suas consequências a atingirem as economias – mesmo as mais robustas – de uma forma estrutural. Ou, como afirma o documento oficial da organização: a pandemia e a guerra na Ucrânia “marcam o fim de uma era económica; a próxima trará mais riscos de estagnação, divergência e sofrimento”.

Leia o artigo na íntegra no caderno NOVO Economia, publicado com a edição impressa do Semanário NOVO.

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Ainda as consequências do que foi dito em Davos, com destaque para a intervenção do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, uma espécie de grito de independência, mas também do presidente ucraniano, que quis ‘colar-se’ aos Estados Unidos em detrimento de uma Europa que está ao seu lado desde o primeiro instante. Veja a análise do embaixador Francisco Seixas da Costa.