Artigo originalmente publicado no caderno NOVO Economia de 16 de setembro, com a edição impressa do Semanário NOVO.
Novo negócio milionário à vista no futebol português. De acordo com a informação veiculada esta sexta-feira na comunicação social britânica, os donos do Chelsea Football Club estão interessados em adquirir uma participação minoritária na SAD do Sporting.
Segundo noticiou o diário “The Telegraph”, o consórcio formado por Todd Boehly e Behdad Eghbali pretende ter uma “rede” de clubes, em vários países. Na mira está a elaboração de um projeto que passe por formar jovens jogadores em equipas de menor dimensão (face à do Chelsea, que milita na liga inglesa).
Simultaneamente, os clubes em causa devem dispor de um registo positivo no que diz respeito à formação de jovens, que
se tornam estrelas de futebol. Os atletas poderão, mais tarde, integrar os quadros do clube londrino, ou ser vendidos para outros
clubes, que não façam parte do grupo. Ora, de acordo com a análise que os responsáveis terão efetuado, o Sporting encaixa no perfil procurado, pelo que existirá um interesse concreto em avançar com o investimento.
O projeto perfila-se como algo semelhante ao do City Football Group, grupo que detém clubes como o Manchester City (também de Inglaterra), Girona (em Espanha) e Bahia (no Brasil), sendo evidentes as boas relações entre os clubes, nomeadamente se analisadas as transferências de jogadores entre os próprios.
Por outras palavras, o Sporting, à semelhança de outros conjuntos, iria funcionar, em certa medida, como um trampolim de
jogadores. Os relatos do interesse do consórcio em adquirir uma fatia do clube português não são antigos. No último verão, quando Manuel Ugarte, à data jogador do Sporting, esteve próximo de assinar pelo Chelsea (acabaria por seguir viagem para os franceses do Paris SG), surgiram rumores de que poderiam haver conversações nesse sentido.
Naquela altura o negócio não avançou mas, desta feita, o interesse será mais acentuado. Importa recordar que a SAD ‘leonina
apresentou contas aos mercados no dia 8 de setembro, conta de um lucro na ordem de 25,2 milhões de euros na última
época desportiva.
Na divulgação feita à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), dá-se conta daquele que é o melhor resultado acumulado dos últimos dez anos em dois exercícios seguidos. O consórcio que agora quer deter uma participação na Sporting SAD é o mesmo que, em maio do ano passado adquiriu o Chelsea, que pertencia ao magnata russo Roman Abramovich, a troco da módica quantia de
4,25 mil milhões de libras (4,94 mil milhões de euros).
No Chelsea, as coisas têm estado longe de correr bem. Na temporada passada, os “Blues” ficaram apenas em 12º lugar no campeonato, apesar dos enormes gastos em transferências. O Chelsea terminou 2022/23 com um prejuízo acima de 540 milhões de euros, depois de ter gasto mais de 600 milhões de euros em contratações, mas acabaria por ficar longe dos tão ambicionados lugares que dão acesso à Liga dos Campeões (e até fora de todas as provas da UEFA).
Já esta época, o clube londrino registou mais de 400 milhões de euros em despesas na janela de transferências de verão, só
com transferências, sendo que o prejuízo ascendeu a quase 200 milhões. De referir que o mesmo consórcio adquiriu recentemente o
Strasbourg, clube que joga no principal escalão do futebol francês. Para tal, Boehly e Eghbali tiveram que investir um valor na ordem de 75 milhões de euros.