Redação

O poder do conhecimento

No âmbito de um programa desenvolvido pela CBRE, que tem como principal objetivo proporcionar aos seus colaboradores experiências de trabalho em escritórios noutros países por um período de 1 semana, tive a oportunidade de ter “aterrado” naquele que será o mercado logístico de excelência europeu – a Holanda.
A decisão de escolha do país foi relativamente fácil devido a tudo aquilo que se reconhece na Holanda como o principal “hub” logístico da Europa. À parte do seu posicionamento geográfico e do conjunto de infraestruturas existentes de apoio ao setor logístico, que fazem da Holanda a principal porta de entrada de bens no continente europeu, o que mais me motivou a aventurar nesta experiência foi principalmente perceber como interagem os principais agentes que atuam num mercado tão maduro e dinâmico como o holandês. Qual o papel que empresas como a CBRE desempenham em mercados tão maduros e competitivos? Qual é a relação com os clientes e como é que aportamos valor? Como é que promotores, investidores, proprietários e inquilinos – que na generalidade, têm uma relação global e além-fronteiras – valorizam o papel dos consultores? Naturalmente a expectativa criada encontrava-se (bastante) enviesada pela realidade que vivemos localmente. Num mercado menos maduro – como o nosso – a necessidade de recorrer a serviços de consultores com conhecimento e experiência no mercado imobiliário seria previsivelmente maior. No entanto, os números mostram-nos uma realidade diferente. A título de exemplo, as estimativas dos últimos 5 anos apontam para cerca de 50%-60% de área ocupada sem qualquer intervenção dos consultores, que é manifestamente superior à verificada no profissional e competitivo mercado holandês.
Desta comparação pode concluir-se que na Holanda, os intervenientes ligados ao segmento logístico – proprietários, promotores e inquilinos – procuram acrescentar valor aos seus projetos através de empresas como a CBRE, reconhecendo o mercado per si, a importância do papel do consultor no desenvolvimento das suas atividades bem como na forma de otimizar os seus resultados. Trata-se de um fator diferenciador consolidado e aceite num mercado que é a face visível do bom funcionamento e do reconhecimento do papel que cada um dos agentes deve desempenhar no processo de desenvolvimento do negócio.
Outro fator relevante prende-se com as políticas urbanísticas da Holanda. As regras implementadas são muito objetivas no que diz respeito ao plano municipal e respetivos usos dos terrenos, criando zonas definidos e regulados. Esta clareza na informação de processos e políticas permite ter áreas logísticas, por exemplo, bem identificadas e consolidadas por um lado, e por outro, capacita os agentes de um controlo da evolução de indicadores de mercado (novo stock, novas ocupações, disponibilidade, etc.) numa base de “just-in-time” (JIT), o que valoriza e beneficia o mercado.
Por fim, o tratamento e levantamento de informação de mercado, que se encontra centralizada e disponível para consulta dos agentes, com informação relativa às transações, ajudando à maturação do mercado.
No fundo, esta experiência serviu para confirmar a regra de que o sucesso e a dinâmica de qualquer mercado maduro, profissional e competitivo – à parte das características físicas do mesmo – deve-se a uma combinação que, por um lado, junta, compromete e envolve todos os agentes de mercado no processo de tomada de decisão desde o seu início (sem exclusão), e por outro lado, beneficia da robustez e transparência da informação de mercado.
Velhos hábitos não se desinstalam facilmente. Mas importa estar desperto para o poder que o conhecimento e a (boa) informação pode ter na profissionalização e maturação do segmento.

Leonardo Peres
Consultor Sénior do departamento de Agência de Industrial e Logística da CBRE

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