O mercado impressionista treme: dois Monet vão a leilão

Há mais de um século que estas pinturas raras de Monet, “Les Iles de Port-Villez” e “Vétheuil, Effet du Matin”, não eram vistas em público.

O mercado impressionista treme: dois Monet vão a leilão
Claude-Monet-Vétheuil_LEILÃO

Halley, o cometa, brinda o nosso planeta com a sua passagem a cada 76 anos. Um acontecimento que até os mais leigos em matérias astronómicas celebram com entusiasmo. Claude Monet não deu o seu nome a cometas, nem cunhou o movimento que o imortalizou, mas vê agora ressurgir à luz do dia duas pinturas raras, que serão as vedetas do próximo Art Moderne et Contemporain Evening Auction da Sotheby’s, em Paris.

As placas tectónicas do mercado tremeram e os colecionadores apaixonados pelos impressionistas sentiram, obviamente, um inevitável frisson. Mas este acontecimento toca também outras franjas da sociedade, como os estudiosos de Monet, pois ambas as obras exemplificam a mestria do pintor francês em fases decisivas da sua carreira.

A primeira pintura, “Les Iles de Port-Villez” (1897), capta o rio Sena, perto de Giverny, num claro jogo entre luz e água, na tentativa de capturar os aspetos mais fugidios daquela paisagem, diluindo a superfície do rio em reflexos cintilantes. Conhecida anteriormente através de uma fotografia a preto e branco dos anos 1950, Les Iles de Port-Villez (1883) retrata o mundo natural intocado pelo homem.

Ora, foi precisamente na primavera de 1883 que Monet trocou Paris por Giverny, a aldeia bucólica onde passaria os últimos 40 anos da sua vida. E foi ali que prosseguiu o seu romance com o Sena, remando o seu barco-estúdio-de-pintor, para melhor fazer jus ao significado da pintura ao ar livre. Estimada entre 3 e 5 milhões de euros, esta pintura foi vista pela última vez no início do século XX nas paredes da famosa galeria nova-iorquina Durand-Ruel Gallery, em plena Quinta Avenida.

Capturar o movimento da luz na natureza

A segunda pintura, intitulada “Vétheuil, Effet du Matin” (1901), remete para a vivência do artista na pitoresca aldeia homónima, em Val-d’Oise, onde procurava, com a sua delicada pincelada e paleta luminosa, o perpétuo movimento da luz na natureza. Se essa é a essência da busca impressionista – efeitos naturais fugazes – estas duas telas têm, ainda, a particularidade de nos proporcionar um vislumbre da visão em evolução do artista. Estimada entre 6 e 8 milhões de euros, não é vista em público desde a sua compra, há mais de cem anos, para integrar o acervo de uma coleção particular, onde permaneceu até agora.

O recorde para uma obra de Monet em leilão foi fixado em 2019. “Meules” (1890) foi vendida por 110,7 milhões de dólares (cerca de 95,87 milhões de euros), na Sotheby’s Nova Iorque. Em 2018, a obra “Nenúfares em Flor” (1914-1917), sim, uma das suas famosas pinturas de ‘nenúfares’, atingiu os 84,5 milhões de dólares (cerca de 73,14 milhões de euros) na mesma casa. Para mais detalhes sobre as obras em leilão, consulte a página oficial da leiloeira.

Art Moderne et Contemporain Evening Auction, Paris | 16 abril | sothebys.com

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