A Reserva Federal (Fed) dos EUA decidiu, na quarta-feira, deixar as taxas de juro inalteradas. Foi a primeira vez em 15 meses, depois de dez reuniões de subidas consecutivas que colocaram os juros no nível mais alto desde 2007. Esta pausa, independentemente das ameaças de mais subidas no futuro, é uma clara indicação de que o ciclo de aperto monetário no “Ocidente” está a terminar.
Os bancos centrais têm fundamentado a subida dos juros com a necessidade de combater a inflação. É uma posição discutível, tendo em conta que os fatores que induziram a subida generalizada dos preços não resultaram de economias ciclicamente sobreaquecidas, mas antes de dificuldades logísticas, subida dos preços da energia, falsa sensação de escassez de bens e matérias-primas e a expansão de margens das empresas.
A Fed continua a insistir num tom agressivo e sinalizou que espera mais duas subidas de taxas este ano, mas o mercado não acreditou (desconta uma subida apenas) e até admite um corte este ano.
O Banco Central Europeu irá continuar na sua cruzada e deverá levar os juros até 3,75% em junho, o que se percebe mal quando a inflação homóloga está em níveis pré-guerra, a economia do bloco (e da Alemanha) se encontra em recessão técnica e todas as métricas do crédito mostram uma desaceleração.
A subida dos juros justificar-se-ia com o objetivo de normalizar a política monetária, nomeadamente, para reaver o instrumento “taxa de juro” e abandonar a liquidez em excesso que causou distorções em vários mercados.
Mas, provavelmente, não seria necessário que as taxas subissem tanto, porque o nível dos juros afeta significativamente os agentes económicos, porventura os mais vulneráveis, pode gerar riscos sistémicos e tem alcance limitado na fuga aos efeitos das políticas não convencionais.
Ou seja, a utilização de outros instrumentos monetários, a par de uma subida mais moderada dos juros, permitiria atingir os objetivos mais importantes, sem prejudicar demasiadamente a atividade económica. E, quanto à inflação, estaria sempre condenada a desacelerar e até poderá vir a surpreender em baixa a maioria dos analistas.