“O contexto macroeconómico é favorável à inovação”

O sector depara-se com a necessidade de responder ao aumento da competitividade do mercado, que trabalha com prazos cada vez mais apertados e onde a confiança é essencial. Para isso, é necessário inovar, dizem líderes.

“O contexto macroeconómico é favorável à inovação”
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A consultoria enfrenta, a curto e médio prazo, desafios que vão desde a multidisciplinaridade à inovação. Estes apresentam-se como fatores fundamentais para o progresso das mesmas e, por consequência, dos seus clientes: as empresas. Tudo isto num contexto de enormes adversidades impulsionadas pela pandemia, no passado, pela guerra, desde fevereiro de 2022 e à inflação, atualmente.

De acordo com Bernardo Maciel, CEO da Yunit, o que se observa é uma “convulsão ao nível das cadeias de distribuição” que, associada a uma acentuada subida dos preços e das taxas de juro, alterou profundamente o contexto existente, de tal forma que o investimento das empresas, nos mais variados ramos, foi afetado “de forma substancial”, o que resultou na descapitalização das mesmas. Um fenómeno de tal forma comum, que “qualquer decisão de investimento ou de procura de inovação obriga a consolidar muito melhor a forma de atuar”, refere o responsável. É neste contexto que as consultoras procuram ter especialistas das mais variadas áreas, de forma a poderem fazer face aos diversos desafios com que se deparam.
O facto de grande parte do tecido empresarial português consistir em pequenas e médias empresas significa que são muitas as que não têm recursos humanos para poderem dar resposta a todas as tarefas que surgem. Assim sendo, as consultoras desempenham um papel fundamental no apoio aos seus clientes, como explica Bernardo Maciel: “Temos cada vez mais pessoas das mais diversas áreas do conhecimento, para podermos rapidamente aportar mais valor às empresas”, reitera.

Nuno Martins Cavaco, Partner da Moneris Innovation Lab, também marcou presença nesta JE Talks e mostra-se otimista sobre as condições existentes no mercado, sublinhando que o contexto macroeconómico existente deverá contribuir para que exista inovação. “É favorável àquilo que é a transformação das empresas numa lógica de serem mais eficientes e terem maior capacidade de responder aos desafios dos seus próprios clientes”, de acordo com o responsável.

Relativamente às sociedades multidisciplinares, o responsável acredita que estas serão, cada vez mais, uma realidade, visto que permitem uma “melhoria da qualidade de prestação de serviço aos clientes”, gerando, por isso, valor acrescentado. Ao mesmo tempo que a multidisciplinaridade das empresas contribui para tornar o trabalho mais competitivo, permite também agilizar processos, que é outra necessidade vivida pelo mercado na atualidade, lembra Cavaco. “O cliente cada vez exige mais rigor e a capacidade de uma resposta célere, competente e com elevada qualidade”, refere, já que as próprias empresas que contratam as consultoras têm, também elas, prazos a cumprir.

Outro aspeto fundamental na consultoria é a necessidade de inovar, que exige criatividade, de forma a que se possa criar “um espírito de empreendedorismo” e “dar espaço às pessoas para se manifestarem sem qualquer receio de errar”. Este processo deve estar ligado a um “espírito de entreajuda que promova o cruzamento de experiências e de ideias”, que resulte também no benefício dos clientes, de forma que todos saiam a ganhar, refere ainda.

Neste âmbito, Nuno Martins Cavaco deixa ainda um alerta, quando diz que, em muitas situações, as firmas cometem falhas na tentativa de “transpor esta ideia [de inovação] na sua comercialização”.

Bernardo Maciel deixa claro que o processo de inovação passa por as consultoras serem mais rápidas a apropriarem-se de conhecimento, a gerir o mesmo internamente e “entregar ideias diferentes para que esses mesmos clientes consigam inovar nos mercados”, além de referir também a importância de inovar na “proposta de valor” que se entrega, isto é, na forma de se prestar o serviço.

A concluir, Cavaco sublinha também a importância de as relações entre as consultoras e os seus clientes serem construídas com base na confiança, na medida em que, caso a consultora não consiga criar condições para realizar o serviço que é pedido, saiba criar condições para que o seu cliente encontre outro prestador de serviços que possa fazê-lo, ou seja, indicar outra firma de consultoria que tenha os meios técnicos e humanos para dar resposta.

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