Nuno Troni alerta para “desaceleração moderada” do emprego na segunda metade do ano

Business director da área de Search & Selection da Gi Group Holding, diz ao JE, que entre janeiro e junho, duplicou o número de profissionais pedidos pelas empresas suas clientes. No entanto, refere Nuno Troni, as recentes alterações ao Código do Trabalho podem vir a "influenciar fortemente" as previsões para o segundo semestre e antecipa "uma postura mais cautelosa na criação de novos postos de trabalho".

Nuno Troni alerta para “desaceleração moderada” do emprego na segunda metade do ano
Nuno Troni, Business Director de Search & Selection da Gi Group Holding Portugal

O desemprego tem vindo a recuar ao longo deste ano, mas não é líquido que a trajetória se mantenha.

“Embora o mercado de trabalho tenha mostrado sinais positivos no primeiro semestre, espera-se uma desaceleração moderada na segunda metade do ano, com menor ritmo de crescimento no emprego e estabilidade na taxa de desemprego, conforme as projeções do Banco de Portugal”, diz ao Jornal Económico Nuno Troni, business director de Search & Selection da Gi Group Holding Portugal, com duas décadas de conhecimento acumulado no sector de Recursos Humanos.

As recentes alterações ao Código do Trabalho podem vir a “influenciar fortemente” as previsões para o segundo semestre, adianta, explicando que estas alterações vêm aumentar a complexidade administrativa e uma maior necessidade planeamento por parte das organizações.

“Este cenário leva muitas empresas a adotar uma postura mais cautelosa na criação de novos postos de trabalho, ponderando cuidadosamente cada contratação, o que, por sua vez, contribui para reforçar a tendência de desaceleração do crescimento do emprego, mesmo em setores que se mantêm relativamente dinâmicos”, justifica.

Seja como for, é certo que continuará a haver uma grande necessidade de talento altamente especializado. O foco, concretiza, estará em processos de recrutamento “mais seletivos e estratégicos”, orientados para funções de “impacto direto” no negócio. As áreas de analytics, cibersegurança ou as fintechs deverão continuar a liderar a procura, “consolidando-se como motores de transformação económica até ao final deste ano”.

Na sua avaliação sobre a evolução do mercado de trabalho em Portugal no primeiro semestre de 2025 e perspetivas para o futuro, Nuno Troni antecipa “alguma pressão salarial” em funções críticas, como resultado da escassez de perfis que combinem certificações técnicas e experiência operacional.

O Instituto Nacional de Estatística regista níveis de desemprego historicamente baixos nos primeiros meses do ano. Entre janeiro e junho de 2025, a taxa, que começou o período nos 6,2%, atingiu o seu valor mais baixo em junho, com 6,0%, e registou uma média trimestral de 5,9%. 

No primeiro semestre, a Gi Group Holding Portugal que opera na área de recrutamento especializado com as marcas Wyser, Grafton e Qibit dá conta de um aumento para mais do dobro no número de pedidos realizados pelas empresas, verificando-se também um crescimento no que diz respeito ao número de profissionais colocados em cerca de 72%, face ao período homólogo.

Os dados da empresa fornecidos ao JE referem um crescimento de 72,2% nas colocações da Gi Group do primeiro semestre face ao período homólogo de 2024. Nos pedidos, a performance é ainda mais impressionante: +121,4% face ao mesmo período do ano anterior.

 Building & Construction, IT e FinTech são os sectores mais dinâmicos e entre os perfis mais procurados, o destaque vai sobretudo para engenheiro de processo, supervisor/a de produção, técnico/a de ambiente e segurança, diretor de obra, eng. de estruturas, especialista de logística, engenheiros de qualidade e eletrotécnico, software developers/engineers, consultores/as SAP, cibersegurança, data & analytics, audit/risk compliance.

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