Como esperado, a Moody’s manteve esta sexta-feira a notação da dívida pública portuguesa em A3 com perspectivas ‘estáveis’, isto apesar do contexto desafiante global causado pelo choque energético.
Na atualização calendarizada do rating nacional, a agência de notação financeira norte-americana manteve uma avaliação positiva dos títulos de dívida pública portugueses, que permanecem assim quatro níveis acima do considerado ‘lixo especulativo’, com ‘A3’.
Ao mesmo tempo, a agência considera o outlook da economia portuguesa estável, dando seguimento à decisão anterior, em que reafirmou ambas estas classificações, em novembro do ano passado.
Em comunicado a Moody’s afirma que este rating “reflete uma economia competitiva e diversificada, níveis de rendimento de per capita relativamente elevados e fortes instituições”. “Embora o rácio da dívida pública continue elevado face aos pares, desceu significativamente desde o pico de 2020, e esperamos que esta tendência descendente continue”, destaca a agência. As persptivas da Moody’s apontam para que os “indicadores de capacidade de pagamento da dívida se mantenham estáveis”.
A agência refere ainda que “o aumento da incerteza política doméstica, com origem em eleições antecipadas consecutivas nos últimos anos e o aumento da fragmentação política, pode enfraquecer a eficácia das políticas ao longo do tempo”.
Apesar de apontar para que a expansão económica fique pelos 2%, a agência prevê “um abrandamento temporário do crescimento para 1,6% em 2026 devido às disrupções relacionadas com o tempo” devido às “graves tempestades atlânticas e às cheias desde finais de janeiro até meados de fevereiro, assim como contágios do conflito no Médio Oriente”.
Nem o rating, nem as perspectivas da economia portuguesa são alterados pela Moody’s desde 2023, quando passou a incluir os títulos portugueses na categoria ‘A’, ou seja, de investimentos de média/alta qualidade. Tipicamente a agência de referência mais conservadora, desde então que não tem havido novidades neste capítulo, embora os movimentos recentes das suas congéneres ainda tenham levantado a possibilidade de uma melhoria de outlook ou até mesmo de notação.
Há uma semana, foi a DBRS a melhorar as perspectivas nacionais de ‘estáveis’ para positivas, isto depois de a Fitch, em março, e a S&P, em fevereiro, terem seguido igual caminho. À altura, a trajetória descendente e sustentada do rácio de dívida pública portuguesa foi um dos motivos citados para a decisão, sendo este um dos indicadores mais relevantes para a avaliação das agências de notação financeira.
Ainda assim, existe algum desfasamento entre as notas dadas a Portugal: enquanto S&P e DBRS colocam os títulos portugueses no quinto nível mais alto do seu sistema de classificação (A+ no primeiro caso e A-alto no segundo), a Fitch atribui o sexto nível (A). Já a Moody’s mantém o sétimo patamar, embora folgadamente acima da barreira do lixo financeiro.
A próxima avaliação calendarizada da dívida pública portuguesa será a 28 de agosto, quando a S&P tem marcada uma atualização para a economia nacional. Já no que respeita à Moody’s, o calendário da agência aponta para nova revisão para Portugal a 20 de novembro.