Moody’s: China reforça papel de empresas estratégicas para garantir segurança energética

Num relatório recente, a agência destacou os riscos decorrentes da “forte dependência de combustíveis importados e das infraestruturas energéticas tradicionais”, apontando especificamente para o impacto da guerra no Médio Oriente e o consequente encerramento do estreito de Ormuz.

Moody’s: China reforça papel de empresas estratégicas para garantir segurança energética
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A agência de notação financeira Moody’s indicou que Pequim está a atribuir importância estratégica crescente a empresas consideradas essenciais para garantir a segurança energética, perante as tensões geopolíticas e expansão de setores com elevado consumo de eletricidade.

Num relatório recente, a agência destacou os riscos decorrentes da “forte dependência de combustíveis importados e das infraestruturas energéticas tradicionais”, apontando especificamente para o impacto da guerra no Médio Oriente e o consequente encerramento do estreito de Ormuz.

Antes do conflito, passavam por aquela via marítima cerca de 45% das importações chinesas de petróleo e gás, segundo a Moody’s.

A agência afirmou ainda que a “rápida expansão” da inteligência artificial (IA), dos centros de dados, dos veículos elétricos e da indústria transformadora avançada torna o acesso a energia “fiável, acessível e segura ainda mais vital para o crescimento económico e a competitividade tecnológica”.

“O objetivo da China é garantir a resiliência geral do seu ecossistema energético, capaz de apoiar a descarbonização, a competitividade industrial, a liderança tecnológica e um crescimento impulsionado pela IA”, resumiu.

Neste contexto, Pequim está a alargar o conceito de setores estratégicos para além dos combustíveis, produtores de energia e operadores das redes elétricas, passando a incluir também minerais críticos, equipamento nuclear, armazenamento de energia e construção de infraestruturas.

Entre as empresas que poderão beneficiar desta estratégia, a Moody’s destacou o grupo de infraestruturas energéticas PowerChina, o fabricante de baterias para veículos elétricos CATL, o grupo mineiro Minmetals e a Shanghai Electric Holdings, um dos poucos fabricantes chineses de equipamento nuclear.

A agência ressalvou que a emergência de novas empresas consideradas estratégicas não deverá reduzir a importância dos grupos estatais que tradicionalmente dominam o setor energético chinês.

“As empresas de petróleo e gás continuam a ser fundamentais para a segurança dos combustíveis, a resiliência do abastecimento e a diversificação das importações, enquanto os produtores de eletricidade e operadores das redes continuam a sustentar a fiabilidade do sistema e o acesso a energia a preços comportáveis”, indicou.

Esta semana, o portal financeiro chinês Cailian informou que a capacidade instalada de energia solar na China ultrapassou, pela primeira vez, a do carvão, assinalando uma mudança significativa na transformação do sistema elétrico do país.

A China continua fortemente dependente do carvão em termos de produção efetiva de eletricidade, mas as fontes renováveis têm vindo a dominar cada vez mais a nova capacidade instalada.

A segurança energética ganhou particular importância para Pequim desde o início da guerra no Irão.

Em abril, semanas após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das posteriores represálias de Teerão, incluindo contra outros países da região, a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) apelou a uma melhoria da “segurança energética e dos recursos” e à preparação para “perturbações e desafios provenientes do exterior”.

O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20% do petróleo e gás comercializados mundialmente antes do início do conflito, afetou particularmente a Ásia, principal destino das exportações energéticas que atravessavam aquela rota.

A guerra chegou a provocar uma subida dos preços dos combustíveis na China e levou as autoridades a intervirem temporariamente, limitando os aumentos a cerca de metade do que resultaria do mecanismo habitual de cálculo.

O conflito trouxe, contudo, algumas vantagens comerciais para a China.

As exportações chinesas de tecnologias ‘verdes’, setores em que o país ocupa uma posição dominante a nível mundial, incluindo painéis solares, baterias e veículos elétricos, dispararam nas últimas semanas, perante o impacto global da subida dos preços do petróleo.

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