Um economista português no coração da América. Luís Cabral é professor de Economia na New York University e conta com uma longa carreira em várias instituições nos dois lados do Atlântico, incluindo a London Business School, London School of Economics, Berkeley ou Yale. Foi consultor de várias organizações públicas e privadas, incluindo a equipa de basebol New York Mets. O JE entrevistou-o numa das suas passagens por Portugal que contou com uma agenda preenchida, com aulas na AESE Business School e a participação num encontro do Fórum de Administradores e Gestores de Empresas (FAE).
Portugal registou o quarto maior excedente orçamental da zona euro em 2023. Este trajeto é para manter?
Penso que é importante garantir que os níveis de dívida pública se mantêm dentro de certos limites. Há que garantir que nos mantemos a níveis razoáveis para evitar uma nova crise de dívida pública que não foi uma experiência positiva para o país. Dentro desses limites, a política de estabilização orçamental é uma em que o valor do superávit do défice orçamental depende muito da situação económica. Não há um valor que tenha que ser obrigatoriamente atingido. Hoje em dia somos todos keynesianos no sentido orçamental, Depende da situação conjuntural de cada momento. A inflação voltou a níveis seculares, perto dos 2%. E o desemprego também está a níveis dentro dos padrões europeus e do sul da Europa razoáveis. Neste momento não se justifica ter uma política orçamental que leve a défices orçamentais.
O país fechou 2023 com um rácio da dívida pública abaixo dos 100% do PIB e o Governo também prevê que até 2028 fique abaixo dos 80%. Será fácil atingir este objetivo?
Não há nada de mágico em relação a 100%, para além de ser um número muito redondo. Mas estando abaixo de 100% para uma economia como a portuguesa, dá uma certa garantia de estabilidade.
Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor