Ministro Luís Neves diz desejar que auditoria à PJ “seja feita e conhecida”

Ao discursar na cerimónia comemorativa do Dia do Município de Gouveia, no distrito da Guarda, Luís Neves mostrou-se motivado para continuar a exercer o cargo.

Ministro Luís Neves diz desejar que auditoria à PJ “seja feita e conhecida”
O ministro da Administração Interna, Luís Neves discursa durante a cerimónia de Compromisso de Honra do 38.º Curso de Formação de Oficiais de Polícia, em Lisboa, 30 de junho de 2026. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

 O ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse esta segunda-feira desejar que a auditoria à Polícia Judiciária (PJ) “seja feita e conhecida” e garantiu ter condições para se manter no cargo.

Questionado hoje, em Gouveia, sobre se teme estar a contribuir para uma má imagem da PJ, o governante respondeu aos jornalistas que não e referiu ter “um percurso e um legado na Polícia Judiciária que é de todos conhecido e absolutamente transparente”.

“Em mais de 30 anos de polícia tive permanentemente a minha vida escrutinada e auditada. Durante o tempo em que fui responsável pela investigação criminal assim foi”, frisou.

Depois, enquanto dirigente, houve várias inspeções e, por isso, é com “toda a tranquilidade” que encara a auditoria: “até desejo, efetivamente, que esse trabalho seja feito para se conhecer definitivamente todo o percurso da instituição”.

Na sua opinião, “todas as averiguações, todas as investigações, todas as auditorias são bem-vindas”.

Ao discursar na cerimónia comemorativa do Dia do Município de Gouveia, no distrito da Guarda, Luís Neves mostrou-se motivado para continuar a exercer o cargo.

“Claro que tenho todas as condições”, assegurou o governante, explicando que a sua estratégia passa por “resolver os problemas um a um”.

A ministra da Justiça garantiu hoje que a decisão de determinar uma auditoria à Polícia Judiciária visou unicamente “proteger a instituiçjustão”, rejeitando que seja um ministro a investigar outro ministro.

“A nossa ação e a nossa atuação, neste caso em concreto, pautou-se pelo único objetivo que é proteger a Polícia Judiciária e defender as instituições”, disse Rita Alarcão Júdice, em Lisboa, sustentando que “é importante que seja esclarecido tudo o que há a esclarecer”.

O Ministério da Justiça ordenou “a realização de uma avaliação interna” e de uma auditoria da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) à PJ, na sequência de notícias em torno da atuação de Luís Neves enquanto esteve à frente da instituição policial.

Em causa estão, nomeadamente, uma obra numa propriedade de Luís Neves no Alentejo, realizada por uma empresa que tinha sido contratada pela PJ, e pela descoberta, na mesma Construbarcelos, de um atrelado que tinha sido apreendido no âmbito de uma operação contra o tráfico de droga.

Segundo fonte da PJ, a auditoria vai centrar-se em contratos e obras públicas de entre 01 de janeiro de 2018 e 31 de julho de 2026, um período que abrange o final do mandato do antigo diretor nacional Almeida Rodrigues, toda a gestão de Luís Neves e os primeiros meses do mandato do atual diretor, Carlos Cabreiro.

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