O ministro das Finanças pediu “mais cuidado” ao Banco Central Europeu (BCE) na hora de avaliar novas subidas das taxas de juro.
Num discurso mais dovish, em contraponto com o tom hawkish de Christine Lagarde, Fernando Medina defende que mais subidas vão prejudicar o crescimento europeu, numa altura em que a inflação está a recuar e que a transmissão monetária das últimas subidas ainda não se faz sentir em pleno.
“Os riscos são agora mais elevados de que maiores aumentos podem criar uma situação mais difícil para o crescimento europeu”, disse em entrevista à “Bloomberg”, pedindo “mais cuidado” ao BCE.
O BCE subiu as taxas de juro oito vezes consecutivas, com as taxas de depósito agora nos 3,5%. Lagarde já avisou que o BCE prepara-se para uma nova subida de 25 pontos base.
Tanto o primeiro-ministro António Costa como a sua homóloga italiana Giorgia Meloni já alertaram o BCE para os riscos de subidas contínuas de taxas.
Em Portugal, a inflação recuou para 3,4% em junho, o valor mais baixo em ano e meio, com a inflação subjacente a recuar 10 pontos base para 5,3%.
Na zona euro, a inflação deverá ter recuado de 6,1% em maio para os 5,5% em junho, segundo uma primeira estimativa do Eurostat.
Na entrevista, o ministro previu que o rácio da dívida sobre o PIB fique abaixo dos 107%, abaixo da previsão oficial de 107,5%. “Provavelmente vamos terminar 2023 com um fardo de dívida sobre o PIB abaixo do de Espanha, França e talvez a Bélgica”.
Já a economia deverá ficar acima dos 1,8% previstos oficialmente, afirmou. O Banco de Portugal prevê um crescimento de 2,7% conduzido pelo turismo.
“Estamos a convergir, estamos a melhorar a nossa posição na zona euro. Estamos a enfrentar uma mudança estrutural na economia portuguesa, na boa direção”, afirmou na entrevista.
O yield das obrigações portuguesas a 10 anos estava nos 3,4% esta quarta-feira, acima dos 3,1% registados há seis meses, mas abaixo da taxa de Itália ou Espanha, e muito longe dos 18% registados em 2012 em plena crise das dívidas soberanas.