Lucros da zona do euro fazem subir mais a inflação do que os salários, diz BCE

A rendibilidade das empresas na zona euro subiu para um nível recorde no último trimestre, mantendo a pressão sobre a inflação, uma vez que a tão esperada queda das margens das empresas está a ser adiada, revelou um documento do Banco Central Europeu (BCE).

Lucros da zona do euro fazem subir mais a inflação do que os salários, diz BCE
bce

Os lucros das empresas na zona euro são um factor de pressão maior sobre a inflação do que o aumento dos salários, diz o Banco Central Europeu (BCE), citado pela “Reuters”.

A rendibilidade das empresas na zona euro subiu para um nível recorde no último trimestre, mantendo a pressão sobre a inflação, uma vez que a tão esperada queda das margens das empresas está a ser adiada, revelou um documento do Banco Central Europeu (BCE) publicado esta quinta-feira.

No ano passado, as empresas aumentaram os preços antes dos aumentos de custos, o que levou a inflação a atingir  os dois dígitos no outono, forçando o BCE a aumentar rapidamente as taxas de juro para arrefecer a procura, de modo a que as empresas tivessem de ceder e começar a absorver as exigências salariais mais elevadas, segundo a “Reuters”.

Embora o BCE culpe frequentemente o rápido crescimento dos salários pelas pressões inflacionistas, o deflator do PIB (uma medida das variações dos preços de todos os bens e serviços)  subiu para quatro vezes a sua média histórica no último trimestre, com os lucros, e não os salários, a contribuírem em grande parte para este facto.

“No primeiro trimestre de 2023, a taxa de crescimento anual do deflator do PIB da área do euro atingiu um máximo histórico de 6,2%, face a 5,7% no trimestre anterior, tendo-se situado num mínimo de 0,6% no segundo trimestre de 2021”, afirmou o BCE num artigo do Boletim Económico citado pela Reuters.

“A contribuição dos lucros por ação tem sido particularmente grande nos últimos três trimestres, representando cerca de 60% do crescimento total do deflator do PIB”, acrescentou o BCE.

O pensamento económico tradicional teria apontado para lucros mais fracos, uma vez que o bloco sofreu uma recessão durante o inverno, mas a natureza única dos choques fintou as previsões.

A “Reuters” diz que as famílias continuam a dispor de amplas poupanças acumuladas durante a pandemia, pelo que continuam a gastar, enquanto a volatilidade dos preços da energia criou uma “desculpa mais fácil” para as empresas aumentarem os preços.

Relacionado