Nasceu como uma plataforma de ensino de línguas angolanas – primeiro com o Kimbundu e depois com o Umbundu -, mas esse leque rapidamente se abriu para outras línguas africanas.
Kukubela é o nome da startup angolana criada em 2023 por António Nicolau com a missão de contribuir para a preservação das línguas nacionais do continente. Hoje, são seis os cursos disponíveis na plataforma digital, ensinados em português, inglês e em francês, uma das últimas novidades.
Até ao final do ano, o crioulo cabo-verdiano deverá entrar na lista, tal como o Kwanyama, falado no sul de Angola, o Swahili – uma das línguas mais faladas em África e língua oficial da União Africana (UA) -, e o Ibo, revela ao Jornal Económico (JE) o CEO da Kukubela. Também o Ibinda, falado em Cabinda, está em desenvolvimento e será incluído na app.
Com mais de 39 mil utilizadores atualmente, o objetivo é chegar aos 100 mil até ao final do ano.
A plataforma digital acaba de integrar o Yorùbá, uma das línguas mais faladas da Nigéria, na lista de cursos oferecidos, juntando-se ao Tchokwe, falado no leste de Angola, ao Kikongo e ao Lingala, uma das línguas oficiais da República Democrática do Congo (RDC) e da República do Congo.
António Nicolau diz ao JE que é a diáspora que responde pela grande parte dos subscritores, de Portugal ao Brasil, Reino Unido e França, a avaliar pelo feedback dado nas redes sociais.
“Devido à distância, viam essa conexão quebrada. Conseguem ligar-se novamente à sua cultura, à sua origem”, explica o CEO da empresa, arriscando dizer que é na Kukubela que “encontram um conforto que procuravam já há um bom tempo”.
Foi a falta de materiais de ensino, quando quis começar a aprender kimbundu, que levou António Nicolau a desenhar a ideia que viria a resultar na Kukubela. Com uma sólida experiência profissional na tecnologia e no desenvolvimento de software, tanto em Angola como noutros países, o empreendedor quis dar resposta a uma “necessidade” não só a nível “pessoal” como “nacional”.
E qual o perfil dos utilizadores em Angola? “Pessoas na casa dos 25 – 45 anos que, assim como eu, cresceram num meio em que ouviam os pais e tios a falarem essas línguas, mas que não puderam aprender devido a vários problemas estruturais que temos no país”, respondeu.
A meta está lançada a curto prazo e é ambiciosa: “o nosso objetivo é ter um milhão de pessoas a aprenderem as nossas línguas africanas aqui nos próximos dois anos”.
Assente, por enquanto, num modelo bootstrapping, com António Nicolau como sócio único, a ideia é que o modelo de negócio da startup de tecnologia educacional “não dependa inteiramente do mercado angolano”. “É-nos mais fácil adicionar línguas nacionais de Angola. Mas a estratégia é chegar a outros mercados mais maduros, como a Nigéria e África do Sul. Devemos manter esse equilíbrio de línguas nacionais angolanas e línguas de outros países de África”, explicou.
Os conteúdos e currículos oferecido na plataforma de edtech são desenvolvidos por falantes nativos das várias línguas. Atualmente, a Kukubela encontra-se em conversações com o Instituto de Línguas Nacionais de Angola (ILN), do qual pretende ser parceiro, estando à procura de novas parcerias fora do país.
