O caminho inverte-se. A cidade que invadiu o campo abre-se agora à ocupação verde e torna-se espaço para Semear, Cuidar, Colher e Transformar. Daí que a Edição de Primavera 2023 do festival Jardins Abertos tenha escolhido como tema a Alimentação, ou não fosse esta fundamental para o desenvolvimento cultural, enquanto elemento indissociável da construção de comunidades.
Esta primavera, os Jardins Abertos apresentam uma novidade, mais concretamente, promovem uma festa de abertura, marcada para dia 19 de maio, onde serão oferecidas plantas aromáticas aos participantes.
Nesta edição, poderão ser visitados espaços de investigação e diversos projetos comunitários. É o caso da Bela Flor Respira, um projeto piloto de Agrofloresta Urbana em Campolide, desenvolvido com a comunidade e voluntários e que nasceu com o apoio de vários parceiros e entidades públicas e privadas. Aqui não se usam inseticidas nem produtos químicos, e procuram-se soluções que permitam um futuro mais sustentável e regenerativo.
Na Horta do Alto da Eira, projeto da Associação Regador, feito em parceria com a Junta de Freguesia da Penha de França e a Renovar a Mouraria, e financiado pelo programa da CML, o BIP/ZIP – Edição 2021, tem como base a criação, construção e dinamização de uma horta comunitária, sustentável e organizada, onde todos constroem e cultivam para todos.
O projeto Permalab e HortaFCUL estão interligados e são fruto de um sonho de um conjunto de estudantes. Está aberto a novas ideias e a qualquer pessoa da comunidade FCUL – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa ou fora dela, e pretende cruzar várias disciplinas, bem como experimentar técnicas de permacultura.
Já a Raiz Vertical Farms, startup de agricultura urbana que pretende desenvolver redes de hortas verticais distribuídas pelos bairros das grandes cidades, foca-se na vertente educativa, para fomentar a literacia dos consumidores acerca do ambiente, da sustentabilidade e agricultura, entre muitas outras áreas.
Nesta edição de Primavera 2023 do festival Jardins Abertos, também estão previstas visitas a jardins especiais como a Estufa Fria de Lisboa, os Jardins do Palácio Fronteira, o Parque Botânico do Monteiro-Mor e a um jardim inédito: o Jardim da Casa de São Mamede.
O festival Jardins Abertos começou com um objetivo simples e direto: a aproximação à Natureza em contexto urbano de forma gratuita e acessível. Os jardins de Lisboa surgem como lugares de promoção de conhecimento e de partilha de experiências, que permitem aos seus habitantes conhecer espaços e perceber melhor a importância de o tecido social crescer, à imagem de árvores e plantas, de forma sustentável.
Cidadãos informados tomam melhores decisões. Por isso, é essencial que estejam cientes do impacto das mesmas num sistema de alimentação cada vez mais global e complexo, que implica a tomada de consciência da necessidade de adotar sistemas sustentáveis de produção.
Tudo o que diz respeito à alimentação está, assim, intrinsecamente ligado aos nossos comportamentos e escolhas como consumidores. Logo, é importante sabermos de onde vêm e como se produzem alimentos, como identificá-los quando crescem de forma selvagem e espontânea e onde encontrá-los na cidade. Isto remete para os diferentes ciclos de produção agrícola, a saber, colheita, preservação, transformação e também desperdício.
As múltiplas atividades propostas pelo festival querem, precisamente, dar a conhecer possíveis respostas para o futuro, que passam por soluções criativas e pelo trabalho desenvolvido em jardins de investigação existentes em Lisboa.