Os EUA conseguiram um soft landing da sua economia no contexto do ciclo de subidas agressivas das taxas de juro para combater a inflação.
Jerome Powell, presidente da Reserva Federal dos EUA (Fed), afirmou no que toca à descida das taxas de juro: “Os riscos são duplos. Estamos numa situação em que se abrandarmos demasiado ou demasiado cedo, podemos assistir ao regresso da inflação, mas se abrandarmos demasiado tarde, podemos prejudicar desnecessariamente o desemprego e a vida profissional das pessoas,”
A União Europeia (UE) e a zona euro tiveram, com o ciclo de subidas das taxas de juro, uma ameaça maior de estagnação económica ou de recessão do que os EUA, designadamente a sua maior economia, a Alemanha, que contraiu 0,3% no quarto trimestre de 2023 e se arrisca a entrar em recessão técnica, pois deverá encolher de novo no primeiro trimestre de 2024.
Segundo o Eurostat, a UE e a zona euro tiveram, em 2023, um crescimento de apenas 0,5%, escapando por pouco à estagnação.
A inflação abrandou na zona euro em fevereiro de 2024 para 2,6%, já próximo dos objectivos do BCE (2%), mas ligeiramente acima do esperado (2,5%), e a actividade dos serviços na economia europeia, onde a inflação ainda está nos 3,9%, continuou vigorosa.
Por isso, a Senhora Lagarde, Presidente do BCE, mantém a prudência no que toca ao começo das descidas das taxas de juro.
Lagarde continua a temer o risco dum efeito inflacionista das negociações salariais, com os salários no final de 2023 a crescer 4,3% num contexto perigoso, em que a produtividade está em queda, tendo afirmado que a pressão salarial continua forte e que será preciso esperar por novos dados, em Maio e Junho, para tomar decisões sobre a matéria.
Em Portugal, as projeções da Comissão Europeia apontam para um crescimento do PIB de 1,2% em 2024 e de 1,8% em 2025, claramente inferiores aos de 2022 (6,8%) e 2023 (2,3%), com inflações de 2,3% em 2024 e 1,9% em 2025, mas a grande excitação do momento é o excedente orçamental de 1,2% do PIB em 2023.
Contrariamente ao que se tem afirmado, tal excedente terá de ser afectado à redução da dívida pública e não servirá para financiar os aumentos de despesa previstos para 2024, para satisfazer as reivindicações de várias classes profissionais, os quais terão de ser acomodados no orçamento de 2024.
Assim, contrariamente à euforia reinante, não me parece que haja dinheiro para tudo e convém não esquecer que a dívida pública ainda é muito alta!
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.