O Chega quer que o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, responda perante o Parlamento, na Comissão de Defesa Nacional da Assembleia Legislativa da República, depois do “comportamento descontrolado” que o ministro apresentou no Aeródromo Militar de Figo Maduro, como descreve a força partidária, onde foram dirigidos “gritos e ofensas” ao chefe de Estado-Maior da Força Aérea, Cartaxo Alves, e a outros militares em serviço.
Os insultos dirigidos a Cartaxo Alves terão acontecido durante a receção de um voo de repatriamento que portugueses do Líbano, que chegaram ao Aeródromo Militar de Figo Maduro, ocorrido a 4 de outubro.
O Correio da Manhã refere que Paulo Rangel terá insultado Cartaxo Alves por discordar do protocolo que foi seguido na sua chegada ao Aeródromo Militar de Figo Maduro. Outro momento terá sido quando Paulo Rangel se recusou a cumprimentar o comandante do Aeródromo Militar de figo maduro, Abel Oliveira, como refere a mesma publicação.
No requerimento que pede a audição a Paulo Rangel, na Assembleia da República, o Chega considera que o episódio foi “lamentável”.
No entender do partido o episódio “compromete a imagem” de um membro do Governo da República e “atinge” também a “relação de respeito que deve existir” entre as autoridades políticas e as Forças Armadas.
O requerimento critica o “comportamento descontrolado” do governante ao “tentar contornar” as normas de segurança militar e ao “desrespeitar” as ordens dos militares que cumpriam o seu dever.
“É inaceitável e compromete a autoridade, disciplina e dignidade das próprias Forças Armadas”, diz a força partidária.
O deputado do Chega que integra a Comissão de Defesa Nacional da Assembleia Legislativa da República, Francisco Gomes, considera que a conduta de um ministro de Estado deve ser “exemplar e adequada à responsabilidade” do cargo que ocupa, e acrescenta que “qualquer ação que contrarie esse princípio, como o incidente ocorrido em Figo Maduro, coloca em causa o funcionamento harmonioso” entre as autoridades civis e militares.
“O Chega decidiu, e bem, chamar o ministro à Comissão da Defesa porque tem de ficar bem claro que há consequências para a maneira como se trata as Forças Armadas, instituição basilar da nossa soberania e defesa nacional. O ministro tem esclarecimentos a dar e o Chega insiste que seja salvaguardado, sempre, o respeito institucional entre o Governo e as Forças Armadas”, acrescentou Francisco Gomes.