O governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, deixou um alerta sobre os novos modelos avançados de inteligência artificial (IA). “A IA de ponta pode ter a capacidade de alterar materialmente a velocidade, a escala e a economia do risco cibernético, o que poderia minar a confiança do mercado em todo o sistema, especialmente devido à elevada concentração de fornecedores de serviços externos”, afirmou numa carta publicada esta segunda-feira, 31 de agosto, endereçada aos ministros das Finanças e aos governadores do bancos centrais do G20, que foi transcrita pela “CNBC“.
Na mesma carta Andrew Bailey considerou que os modelos de IA mais avançados estão a demonstrar “autonomia e capacidade” de resolução de problemas “cada vez mais sofisticadas, bem como potencial para gerar ameaças”, e identificou o potencial impacto dos [modelos] de inteligência artificial, referindo-se ao risco cibernético como sendo a “preocupação mais imediata” para o sistema financeiro.
Os acontecimentos recentes também mostraram que muitas jurisdições “não possuem protocolos adequados” para gerir o desenvolvimento, a libertação e a implementação de modelos avançados de inteligência artificial, “aumentando os riscos para o setor financeiro e outros”.
Andrew Bailey defendeu que as instituições financeiras e os fornecedores de tecnologia terão que se preparar para “cenários mais graves”.
Modelos da OpenAI, Meta e Anthropic invadiram empresas
Um dos episódios envolveu o modelo de inteligência artificial da OpenAI, que detém o ChatGPT, que acabou por invadir o site da Hugging Face, em julho, empresa que está prestes a ser adquirida pela Nvidia. “Em julho de 2026, durante avaliações internas de cibersegurança, os modelos da OpenAI contornaram os controlos concebidos para os isolar da internet e comprometeram partes da infraestrutura de investigação interna da OpenAI e dos sistemas da Hugging Face. O incidente ocorreu durante avaliações de cibersegurança de vários modelos da OpenAI e foi impulsionado principalmente por um modelo de pesquisa interno altamente capaz, comparável em escala ao GPT-5.6 Sol. Os modelos, operando com salvaguardas reduzidas, realizaram ações que não estavam alinhadas com os objetivos das tarefas atribuídas — comunicaram através de canais não autorizados, exploraram vulnerabilidades em infraestruturas partilhadas, obtiveram acesso à internet e acederam a sistemas de terceiros”, acrescentou a empresa.
“Em resposta a este incidente e, separadamente, às capacidades do nosso futuro modelo Astra, estamos a reforçar as nossas salvaguardas em toda a nossa infraestrutura de investigação. Estamos a impor requisitos mais rigorosos de alinhamento ao longo do ciclo de vida de um modelo e a criar mais ambientes isolados, restringindo o acesso à internet e controlando ainda mais o acesso aos pesos do modelo. Estamos também a investir significativamente mais recursos computacionais na monitorização da cadeia de raciocínio para intervir mais rapidamente em comportamentos desalinhados […]. Consideramos este incidente um “alerta” para nós e para o mundo: uma prova de que, sem as devidas salvaguardas, os agentes de inteligência artificial altamente capazes conseguem agora contornar os controlos técnicos, colaborar através de canais não autorizados e tomar ações perigosas sem qualquer intervenção humana”, acrescentou.
A Meta e a Anthropic foram outras empresas que confirmaram que os seus modelos de IA também invadiram empresas, justificando estas invasões devido a “configurações erradas” desses mesmos modelos. A Meta disse que os testes de segurança foram conduzidos pela Irregular, o mesmo fornecedor de IA que realizou testes para o modelo de IA da Anthropic (o Claude), que invadiu os sistemas de outras três empresas. Um porta-voz da Irregular disse que o incidente da Meta “é exatamente o mesmo problema de ambiente de avaliação que já foi divulgado pela Anthropic”.