Goldman Sachs acredita na estabilização do brent nos 93 dólares por barril

A consultora considera que os produtores da OPEP+ querem estabilizar os preços do petróleo abaixo da ‘barreira psicológica’ dos 100 dólares e não reverter alguns dos cortes já anunciados.

Goldman Sachs acredita na estabilização do brent nos 93 dólares por barril
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Os preços do petróleo atingiram os máximos dos últimos dez meses na sequência dos défices de produção induzidos pelos três cortes de produção a que a OPEP+ decidiu proceder. A conjuntura deve piorar ainda mais com mais um corte esperado por pare da Arábia Saudita – que esta semana aumentará os cortes em um milhão de barris por dia.

Segundo um research da consultora Goldman Sachs, “os ciclos de cortes da OPEP podem ser longos e geralmente envolvem cortes múltiplos, com uma duração média de 23 meses e envolvendo dois a três cortes coletivos para o ciclo médio”. Em segundo lugar, “a rigidez do mercado petrolífero e os movimentos cíclicos dos preços do petróleo ajudam a explicar as decisões da OPEP, consistentes com os seus objetivos de estabilidade do mercado petrolífero. Genericamente, os aumentos de produção nos países da OPEP são mais prováveis quando os stocks comerciais da OCDE e da Arábia Saudita estão em baixa e quando foi decidido um aumento de produção imediatamente anterior.

O histórico sugere que o grupo de produtores não tem pressa em aumentar a produção, refere a consultora. Nesse contexto, a probabilidade, implícita no modelo, de um aumento na reunião de novembro é de apenas 33%. Com base na análise estatística das séries longas – e no modelo que a Goldman Sachs criou a partir dela – o corte da produção na Rússia e o compromisso reiterado da Arábia Saudita com os cortes levam a que “não esperamos o anúncio saudita esta semana de uma redução parcial em outubro. A nossa análise e o elevado poder de fixação de preços da OPEP+ sugerem que uma previsão do preço do brent para os próximos 12 meses de 93 dólares por barris.

Para a consultora, devem extrair-se duas perspetivas, moderadamente otimistas, com a análise do mercado: “primeiro, já não esperamos um anúncio saudita esta semana de uma reversão parcial do seu corte de produção de 1mb/d em outubro. Esperamos agora que a produção de petróleo bruto permanecerá estável em 9mb/d em outubro”.

Por outro lado, “a nossa análise destaca que, com base no poder invulgarmente elevado da OPEP sobre a fixação dos preços e a recentemente forte disciplina de fornecimento”, o mais provável é que “os países da OPEP+ reverterão metade do corte de 1,7 mb/d de maio de 2023 em janeiro de 2024 (mas mantendo o corte de novembro de 2022)”, estando a organização inclinada para “menor oferta por mais tempo”. É nesse quadro que surge o preço alvo para os próximos 12 meses de 93 dólares o barril.

“Dito isto, vemos na OPEP+ apenas um risco moderadamente altista, em vez de muito altista, porque acreditamos que é improvável que o grupo de produtores levem os preços do brent sustentadamente acima dos 100 dólares, dado o seu foco na estabilidade a médio prazo”.

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