Gestores da Cofina preparam proposta para comprar empresa dona do “Correio da Manhã” (com áudio)

Operação de 'management buyout' está a ser preparada pelo administrador executivo Luís Santana e pelos seus colaboradores mais próximos. Operação é justificada internamente com a necessidade de manter a independência editorial do "Correio da Manhã" e dos outros meios do grupo, numa altura em que a Cofina Media tem estado no centro de rumores sobre possíveis movimentos de consolidação.

Gestores da Cofina preparam proposta para comprar empresa dona do “Correio da Manhã” (com áudio)
luis santana cofina

A equipa de gestão da Cofina Media, empresa proprietária do “Correio da Manhã”, da CMTV, do “Jornal de Negócios”, do “Record” e da “Sábado”, entre outras marcas, está a estudar a possibilidade de realizar um management buyout (MBO) sobre a totalidade do capital do grupo, apurou o Jornal Económico.

O MBO será liderado por Luís Santana (na foto), administrador executivo da Cofina Media, juntamente com a sua equipa mais próxima, tanto na área editorial como comercial e financeira, sabe o Jornal Económico. A concretizar-se a operação, o grupo de comunicação social passará a ser detido pelos seus principais quadros, num aparente regresso às origens, nomeadamente à fundação do “Correio da Manhã” por Vítor Direito e Carlos Barbosa, em 1979.

A equipa de gestão está a trabalhar no sentido de assegurar o capital e financiamento necessários à elaboração de uma proposta que apresentará à casa-mãe da empresa, a Cofina SGPS, liderada pelo empresário Paulo Fernandes. A operação que está a ser preparada terá três fontes de financiamento: capitais próprios, banca e investidores privados nacionais, sabe o Jornal Económico.

Não foi possível, no entanto, apurar o valor estimado da operação. Na bolsa de Lisboa, as ações da Cofina SGPS fecharam a sessão desta segunda-feira a valer 26 cêntimos, o que avalia o grupo em 27 milhões de euros.

Operação é justificada com independência editorial

A operação de MBO é justificada internamente com a necessidade de assegurar a manutenção da independência editorial do grupo de media, numa altura em que têm sido publicadas notícias sobre o interesse de outros potenciais compradores. Um desses potenciais compradores é a Media Capital, dona da TVI e da CNN Portugal, liderada pelo empresário Mário Ferreira.

Em 2022, os lucros da Cofina SGPS, proprietária da Cofina Media, mais do que duplicaram para 10,5 milhões de euros. A empresa tem como principais acionistas Ana Menères de Mendonça (19%), João Borges de Oliveira (15%) Paulo Fernandes (14%), Domingos Vieira de Matos (12%) e Pedro Borges de Oliveira (10%).

Até ao momento, não foi possível obter esclarecimentos de fonte oficial da Cofina.

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O negócio de fusão ou aquisição da Cofina poderá atrair mais interessados além da Media Capital. Os dois grupos já estiveram reunidos à mesa de negociações em 2019, quando os papéis estavam invertidos e era a dona do Correio da Manhã a querer comprar a detentora da TVI, que, quatro anos depois, já vendeu as rádios, mas ganhou a CNN Portugal. Especialistas estão convictos de que a concentração vai ocorrer, mas que não se corre o risco de criar posições dominantes na publicidade.