Falar do setor da logística e dos transportes é falar, inevitavelmente, de recursos humanos e de mão de obra altamente qualificada, isto apesar da existência de tecnologias cada vez mais inovadoras, que vieram facilitar muitos processos.
Hoje não nos confrontamos com escassez de talento, mas sim com desafios diferentes, nomeadamente transformar a atividade da logística e transportes numa área cada vez mais sexy e atrativa aos olhos de quem nos vê. Esta é uma área cada vez mais orientada para o digital, uma vez que a logística e o transporte estão à distância de consumidores que, a qualquer momento, contribuem para a sua ação diária, através da compra de bens e serviços online.
Ora se existe esta consciência plena e coletiva, onde o mundo digital veio trazer uma disrupção completa na cadeia de abastecimento – que a pandemia acelerou –, é agora tempo de olharmos para o processo, para que o mesmo seja revestido de uma embalagem mais consentânea. Só o poderemos fazer com a visão dos nossos jovens, onde a logística é transversal a todas as atividades, tornando-os o melhor ativo desta profunda mudança que este setor continua a enfrentar. Com o seu contributo vamos conseguir encurtar caminhos, deixando ainda uma visão de futuro para as gerações vindouras.
O mundo pós-Covid-19 é mais exigente, seja na forma como nos relacionamos com o nosso tempo, seja na forma como olhamos o mundo num contexto mais eco friendly e onde a consciência global nos confronta com a inevitável falta de plano B para o nosso planeta e para a nossa própria existência. Hoje falamos de uma logística 4.0, um conceito bebido da indústria, que pretende fazer do digital mais do que uma ferramenta de trabalho: uma ferramenta que permita a criação de tendências para a melhoria da eficiência da cadeia logística.
É este o caminho que acomodará diferentes gerações, fortemente munidas de um assinalável conhecimento empírico e que carregam na sua bagagem décadas de experiência. Até então o conceito de trabalho esteve assente em rigor e disciplina, onde o erro era mal percecionado por todos e sinal de mediocridade. A cultura de proximidade era um must na criação de laços e onde a capacidade de fazer negócio era inigualável, muito por força da relação criada entre clientes e colegas de negócio, com a relação profissional e a pessoal a cruzarem-se muitas vezes.
Chegados aqui, conhecedores de tudo isto, colocam-se agora muitas questões. Como vamos acomodar agora uma geração que quer ver para crer? Que não se submete a uma retórica de incerteza quanto ao que esperar e ao que uma organização pretende de si, onde a tecnologia não é um must, mas sim uma necessidade básica de vida, e onde o mundo é mais policromático? O que esperar de uma geração onde a qualidade de vida vem primeiro e para quem tem esse como o principal drive na hora de decisão?
É nesta perspetiva multidisciplinar que temos de caminhar, criando uma cultura simbiótica com um misto de talento, de saber empírico e académico, dando uma outra dimensão à forma como até aqui víamos o mercado de trabalho e a forma como geríamos os nossos recursos humanos.
Estou convicto que as outras questões, associadas ao teletrabalho, horários mais flexíveis e outros benefícios, virão sempre em segundo plano para o jovem que agora chega ao mercado de trabalho enquanto indivíduo, pois para este contará a sua realização enquanto profissional. Tal premissa é inegociável ao revés da geração ou gerações anteriores, enquanto a mesma não estiver acautelada e largamente satisfeita.
Desde o momento em que se candidata a um lugar numa organização, tudo o resto tomará um papel secundário na sua vida e na sua decisão, cabe-nos a nos empresários, CEO, MD, CHRO, ou outros cargos de direção executiva, percebê-lo e refundarmos a nossa política de RH, para uma decisão orientada para o resultado.
Quem conseguir materializar esta visão esbaterá qualquer conflito geracional. A prova de conceito começa agora, estamos proibidos de a adiar. Aqueles que nesta área específica lograrem fazê-lo serão os que municiarão as suas organizações de maior agilidade, assim como serão aqueles que mais vezes triunfarão, tornando as suas organizações mais resilientes e assentes numa forte, exigente e talentosa pluralidade multigeracional.