Continuam drásticos os dados económicos que se vão conhecendo a menos de 120 dias do final de 2023, e que nos dão conta de um défice real reajustado e deduzido da inflação para -1,1% do PIB, com a dívida pública crescente em valor e a situar-se nos 111,2% da riqueza nacional criada. E se o Estado, ou seja, todos nós, nos encontramos nesta situação, como estarão as empresas e famílias?
No atual contexto de crise da inflação e de taxas de juro, e sem medidas de apoio expressivas e eficazes por parte do Estado e das instituições, as empresas portuguesas sobrevivem a custo, à espera de condições efetivas que permitam fugir da depressão.
São as empresas que criam valor, riqueza, retribuição salarial, emprego e receitas decorrentes dos (elevadíssimos) impostos que pagam.
O reflexo deste triste diagnóstico está bem espelhado nos números conhecidos do mês de julho, em que as exportações portuguesas de bens registaram o quarto mês de quebra consecutiva, com a entrada no terceiro trimestre em território negativo, numa queda abruta da balança externa, com perda acentuada de quota de mercado nos três principais países de destino: Espanha, França e Alemanha
Os reflexos na procura externa líquida em 2023 são preocupantes, com as exportações a diminuir mais intensamente do que as importações, o que faz agravar e muito o fosso para o crescimento da procura externa líquida para o crescimento da economia.
Apesar de também as importações estarem a diminuir, pelo efeito da guerra e do aumento do custo de vida, Portugal precisa de continuar a emagrecer o peso do comércio mundial entre nós, e as iniciativas governativas de apoio às empresas devem concentrar-se nas exportações e na internacionalização da economia.
Isto porque é sabido que muitas delas têm experiências descontínuas e sem capacidade de consolidação, principalmente no que se refere às micro, pequenas e médias empresas. E este é um quadro que deve ser encarado e combatido, para que haja mudanças.
Para se tornar forte e competitiva, a economia nacional necessita de financiamento – o que não deve significar mais endividamento. Mais, é urgente criar mecanismos de capitalização empresarial, de forma a encarar este momento como uma oportunidade que não pode ser perdida, tal como a bazuca europeia de apoio à recuperação e resiliência.
Este é o momento de ajudar quem não morreu da doença, mas que precisa dos milhões para não padecer da cura. Por onde anda o nosso Banco de Fomento?