Extinção de freguesias: Governo quer acautelar salários até ao fim do ano

Direção Geral das Autarquias Locais (DGAL) transfere verbas para as uniões de freguesia, que depois pagam os salários aos respetivos trabalhadores. Com a extinção das freguesias que está em curso, a transferência é feita para onde?, questiona o ministro Castro Almeida, assinalando que o Governo "não quer criar um caso em torno disto" mas avisando que a ausência de lei pode vir a ser problemática. "É imprudente" não fazer nada, enfatizou o ministro.

Extinção de freguesias: Governo quer acautelar salários até ao fim do ano
TIAGO PETINGA/LUSA

O ministro da Economia e Coesão Territorial alertou esta terça-feira, no Parlamento, que a transferência de competências no processo de desagregação das 23 freguesias pode suscitar um problema ao nível dos salários dos trabalhadores. Numa audição no Parlamento, na Comissão da Reforma do Estado e Poder Local, dois dias depois das eleições autárquicas, Castro Almeida pediu “ponderação” aos deputados em relação à matéria em causa, explicando que os salários dos trabalhadores das freguesias extintas pode vir a ser um caso se a lei não acautelar esse e outros problemas.

Castro Almeida recordou que a lei aprovada pelo Parlamento, pela segunda vez em março de 2025, suscitou algumas questões práticas  e que, para as resolver, foi necessário fazer um “aditamento”. Inicialmente, o Governo pretendeu fazê-lo através por via de um decreto de lei, mas alertado pelo PS que tal poderia ser inconstitucional por se tratar de uma lei da Assembleia da República, o Executivo decidiu transformar esse decreto numa proposta de lei ao Parlamento, que se encontra neste momento “pendente”.

“É imprudente não fazer nada, deixar tudo como está pode suscitar questões”, enfatizou o ministro da Economia. Na proposta de lei desenhada pelo Governo, pretende-se acautelar sete ou oito problemas práticos que foram identificados. “A lei que a AR aprovou criou uma comissão para gerir a extinção das freguesias. O que não previu foi o que é que acontece se esta comissão não reunir ou não chegar a resultados úteis. Supletivamente, como é que se resolve o problema?”, questionou Castro Almeida na intervenção inicial da audição.

O caso mais “relevante”, disse o ministro, é o pagamento de salários aos funcionários. Castro Almeida explicou que a Direção Geral de Autarquias Locais (DGAL) transfere para as freguesias o duodécimo por volta do dia 10, 11 de cada mês. “O mês de outubro já foi transferido. quando chegar a 12 de novembro, para onde é que a DGAL vai transferir?”, perguntou.

É que, “nalguns casos, já haverá uniões de freguesias que estão extintas e estarão empossadas. Noutros casos, ainda não acontece isso. Nuns casos, as uniões de freguesia ainda existem, apesar de já haver freguesias empossadas. Para onde vai o dinheiro? Mesmo as freguesias empossadas demoram imenso tempo até ter um NIB. Atrevam-se os senhores deputados a constituir uma empresa. É mais rápido constituir uma empresa do que obter um NIB. Quanto mais tratando-se de um órgão político colegial que obriga a várias assinaturas, na sequência de um processo de eleição que obriga a atas, onde há recursos e etc”, alertou.

Para resolver esse problema, e acautelar os salários, o Governo apresenta uma solução que lhe parece “neutral”. “Autorizar a DGAL a transferir até ao fim do ano, por antecipação, os duodécimos de novembro e dezembro para a união de freguesia, e esta encarregava-se de fazer os pagamentos”, defendeu Castro Almeida, sublinhando que o Governo não quer “criar um caso em torno disto” mas alertando que a a “ausência de lei” pode causá-lo. “Pedíamos a melhor ponderação para ver o que fazer a esta lei e o timing adequado para a aprovar, caso entendam”, rematou.

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