Não pretendo criticar nem desvalorizar o trabalho realizado por algumas pessoas em prol do desporto, quero apenas chamar a atenção para a necessidade de mudar algo, ainda para mais no momento em que se inicia a época desportiva. O modelo associativo está, quanto a mim, perto da falência. Existem associações desportivas a mais em Portugal, sendo que, muitas delas fecharão portas nos próximos tempos. Continuamos com uma taxa de prática desportiva das mais baixas da Europa. Os estádios e os pavilhões, salvo raras exceções, continuam vazios.
A crescente importância do desporto na sociedade portuguesa é medida pela existência de três jornais desportivos diários, uma estação de televisão desportiva via cabo, dezenas de sites especializados na internet e um longuíssimo tempo de antena nos vários jornais, revistas, rádios e televisões generalistas existentes no nosso país. Infelizmente, este tempo de antena não tem sido distribuído equitativamente pelas várias modalidades e agentes desportivos.
Há uns anos atrás, alguém apelidou de “dinossauros” os vários presidentes de câmaras que há cerca de duas décadas exerciam continuamente as mesmas funções. Uns elogiaram, outros criticaram… Mas se estes se mantêm nos respetivos lugares é porque são legitimamente eleitos. No desporto, os “dinossauros” proliferam pelas várias instituições. Presidentes de federações há mais de 20 anos, presidentes de clubes candidatos a darem nomes a estádios ou com processos judiciais, dinastias, eleições condicionadas, influências, enfim, de tudo um pouco se vê.
Além da perpetuação dos lugares, alguns dirigentes desportivos são também conhecidos pela irresponsabilidade e desadequação das suas mensagens, tão penalizadoras para as suas instituições. A comunicação não planeada, essencialmente negativa, veiculada pelos vários dirigentes desportivos é uma das principais razões de afastamento das pessoas dos espetáculos desportivos. Suspeitas, insinuações, insultos, “sistemas”, liga contra federação, federação contra associação, associação contra clube, clube contra a câmara, câmara contra o Estado, são situações impensáveis em qualquer organização empresarial moderna e profissional.
O desporto compete, hoje em dia, na indústria do entretenimento a par do cinema, música, teatro, turismo, lazer e tantas outras formas de diversão. É esta visão empresarial que se exige nos novos tempos para qualquer clube, câmara municipal, associação ou federação. O problema, quanto a nós, é que a vaga atual de dirigentes do desporto português não vai ser capaz de o concretizar. A preocupação pela manutenção dos seus postos, com as jogadas de bastidores necessárias para tal, sobrepõe-se à eficaz gestão das instituições desportivas, claramente orientadas para a satisfação das necessidades dos seus consumidores.