“Era excesso de arrogância dizer que não aprendemos lições com o apagão”, diz administrador da REN

João Conceição defende, na conferência "Transição Energética", organizada pelo JE, que apesar do evento ter sido causado no território espanhol, Portugal aprendeu várias lições, dando como exemplo a necessidade de investir na capacidade de abastecimento energético. "Fomos sempre dizendo que a rede se está a complexificar. Temos a obrigação de minimizar o risco de apagões como o de 28 abril de 2025", afirma.

“Era excesso de arrogância dizer que não aprendemos lições com o apagão”, diz administrador da REN
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O apagão que deixou Portugal às escuras e sem comunicações durante boa parte do dia 28 de abril de 2025 deve servir de lição para as necessidades do país em garantir reservas de abastecimento energético. “Era um excesso de arrogância dizer que não aprendemos lições com o apagão”, afirmou João Conceição, administrador da REN, durante a conferência ‘Transição Energética’, que decorre na sede da Pérez-Llorca, em Lisboa esta sexta-feira, que analisa temas centrais da atualidade, como os combustíveis alternativos e o biometano até à segurança energética, regulação, investimento e integração do mercado ibérico.

O administrador realçou que apesar da causa do apagão ter sido em território espanhol, Portugal aprendeu várias coisas. “Uma delas é que fomos sempre dizendo que a rede está a complexificar. É um aspeto que deve ser visto com muita seriedade. A rede já não é apenas uma estrada unidirecional entre operação ou no caso do gás, o sourcing e o consumo. Passou a ser multidireccional”, referiu.

O responsável deu o exemplo dos mercados de serviços de sistema que “estão a crescer a uma velocidade muito significativa” e que hoje já representam mais de 20% do valor global do mercado grossista.

Como tal, assumiu que a REN está a tentar implementar medidas em várias frentes, começando desde logo pela segurança de abastecimento para que o operador de rede e o gestor global do sistema tenham uma espécie de instrumentos de último recurso.

“Com isto não podemos garantir em absoluto que não existirão mais este tipo de eventos, mas temos obrigação de minimizar o risco de apagões como o de 28 abril de 2025”, salientou.

Sobre a necessidade de uma segurança de abastecimento, João Conceição recordou que quando a REN apresentou os seus planos de investimento e falava em segurança de abastecimento, havia sempre quem tivesse a opinião de que era para justificar os investimentos da empresa.

“Quando apresentamos esse plano em dezembro de 2024, não imaginávamos nunca que no dia 28 de abril de 2025 íamos ter um apagão”, sublinhou.

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