Eficiência energética: no poupar está o ganho

Os bons exemplos começam dentro de casa. As empresas estão a colocar em marcha ambiciosos planos de eficiência energética. Poupar é uma palavra-chave neste processo, a par de sustentabilidade.

Eficiência energética: no poupar está o ganho
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Várias empresas exemplificam como estão a colocar em marcha boas práticas na eficiência energética. É dentro de casa que começam os bons exemplos.

Os bons exemplos começam dentro de casa. As empresas estão a colocar em marcha ambiciosos planos de eficiência energética. Poupar é uma palavra-chave neste processo, a par de sustentabilidade.

A Águas de Monchique revela que tem investido na modernização de toda a sua linha de engarrafamento e na “aquisição de equipamentos de ponta que permitem a otimização de todo o processo e que são energeticamente mais eficientes – cerca de menos 33% de energia consumida por unidade/embalagem produzida”, disse ao JE Vítor Hugo Gonçalves, CEO da empresa.

Já a Sonae Sierra destaca que “ao longo dos anos temos implementado ações para aumentar a eficiência energética dos centros comerciais geridos pela Sierra. Entre estas ações estão: a instalação de iluminação e equipamentos de elevada eficiência; otimização dos horários de funcionamento da iluminação e dos equipamentos; e uma gestão eficaz dos sistemas de ar-condicionado, através da maximização da ventilação natural. Temos também implementado medidas para a redução do consumo de água, nomeadamente instalação de equipamentos sanitários e sistemas de irrigação mais eficientes, e ainda medidas procurando aumentar a quantidade de resíduos enviados para reciclagem e reduzindo os resíduos enviados para aterro. Como resultado da implementação desse vasto conjunto de medidas que visam a ecoeficiência, a empresa conseguiu evitar em 2022 custos operacionais na ordem dos 34,9 milhões de euros com destaque para a redução de 90% em emissões de CO2 desde 2005, redução do consumo de eletricidade em 66% desde 2002 e 40% de água desde 2003”, de acordo com a diretora de Sustentabilidade, Elsa Monteiro.

Por sua vez, a Helexia dá o exemplo dos ganhos que podem ser obtidos com a eficiência energética: segmento industrial /(ganhos na ordem dos 15% a 30%);hospitais e hotelaria (15% a 30%);prédios comerciais e centros comerciais (10% a 20%). “Independentemente de ser uma indústria com mais ou menos anos de operação, um passo essencial para identificar medidas de eficiência energética, é a implementação de um sistema de gestão de energia. Com a instalação de sistemas de gestão de energia é possível a recolha de dados e realizar a monitorização de consumos. Desta forma existe uma real noção de como a energia é consumida nos diferentes processos industriais. Isto é um passo importante pois de acordo com um estudo da Agência Internacional de Energia, cerca de 30% do consumo energético nas empresas corresponde a desperdício, seja ele por ineficiência dos sistemas técnicos ou ineficiência operacional, por erro humano. Com a gestão de energia é possível as indústrias terem uma política energética bem definida, com objetivos e planos de racionalização quantificáveis e alcançáveis no tempo. Esta é uma ferramenta essencial para a tomada de decisões de gestão, visto que quanto mais informação for recolhida, menos a empresa decidirá com base em estimativas e mais certezas terá na hora de avançar com os investimentos certos para obter maior retorno”, afirmou João Guerra diretor de comunicação da Helexia Portugal.

A Sun Energy, por seu turno, defende um reforço do investimento para fomentar a eficiência energética. “Para acelerar o processo, necessitamos de uma rápida implementação do PNEC 2030 após validação da Comissão Europeia, mas também de uma simplificação e agilização dos procedimentos de licenciamento, em particular dos projetos de energia solar descentralizada, já que é um obstáculo grande ao investimento. Continuamos a assistir a uma demora exagerada no licenciamento dos projetos em geral, em particular dos projetos acima de 1 MW de potência. Adicionalmente, é fundamental que haja uma alocação eficiente e criteriosa dos fundos do PRR e do Portugal 2030 mais direcionados para a reabilitação energética dos edifícios, sejam eles particulares, empresariais ou públicos. Também ao nível da mobilidade, será necessário reforçar o investimento, promovendo a eletrificação dos transportes públicos e particulares, com a consequente eficiência energética e redução da emissão de gases com efeito estufa, contribuindo, desta forma, para a descarbonização no setor dos transportes”, afirmou o CEORaul Santos.

Portugal em linha com metas
A atualização do Plano Nacional Energia e Clima 2030, submetida à Comissão Europeia a 30 de junho, “reforça a aposta na eficiência energética ao contemplar um conjunto de políticas e medidas e ao manter a meta de eficiência energética de 35%, ambiciosa num contexto de grande procura de energia para a indústria e para a produção de hidrogénio”, começou por dizer Ana Paula Rodrigues, vice-presidente da Adene- Agência para a Energia. “Portugal está em linha de cumprimento com este objetivo, estando em curso um conjunto alargado de políticas e medidas para assegurar o cumprimento deste objetivo, seja nos edifícios, na indústria ou na mobilidade. Em todos os setores de atividade há potencial para usar a energia de uma forma mais eficiente”, acrescentou.

“No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência foi dedicado um orçamento significativo à eficiência energética quer na Componente 11 – Descarbonização da Indústria (715 milhões de euros) quer na Componente 13 – Eficiência Energética nos Edifícios (610 milhões), em que se destaca o Programa de Apoio a Edifícios mais Sustentáveis e o Programa Vale Eficiência que, através do Fundo Ambiental já permitiu apoiar mais de 77.000 candidaturas e obter uma redução de energia primária de cerca de 540.000 MWhep, gerando poupanças de 42,5 milhões de euros para as famílias”, exemplifica.

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