“É um direito fundamental”. FNE condena intervenção de deputado do Chega e defende educação especial

A Federação Nacional da Educação condenou esta sexta-feira afirmações do deputado João Tilly, que questionou, no Parlamento, se Portugal é "um país de alunos com deficiência" ou "um país de alunos normais". 

“É um direito fundamental”. FNE condena intervenção de deputado do Chega e defende educação especial
FNE Pedro Barreiros

A Federação Nacional da Educação (FNE) condena a intervenção do deputado do Chega, João Tilly, sobre a temática da educação especial no Parlamento.

A educação especial é “um direito fundamental de todas as crianças e jovens com necessidades específicas”, afirma a FNE, acrescentando que “o  Estado tem a obrigação de garantir o acesso a uma educação de qualidade, inclusiva e personalizada, que promova o desenvolvimento máximo das suas potencialidades”.

João Tilly afirmou, na quarta-feira, que o “ensino geral é muito mais importante” do que o ensino especial e questionou se Portugal é “um país de alunos com deficiência” ou “um país de alunos normais”. 

“Na minha escolinha não havia alunos com autismo, nem alunos no espectro do autismo. Não havia alunos cegos, não havia alunos surdos, não havia alunos em cadeira de rodas, não havia alunos com paralisia cerebral. Na minha escola só havia alunos ‘normais’, os ‘bons’ (…) Sabe porquê? Porque esses alunos estavam segregados em instituições para pessoas que ‘não são normais’. Estavam segregados em guetos onde lhes diziam que eram os ‘maus’ e que as escolas estavam reservadas para os ‘bons alunos’. Porque os alunos com deficiência iam nivelar por baixo”, afirmou o deputado do Chega.

Para a FNE, as declarações do deputado revelam um “profundo desconhecimento” da realidade da educação especial em Portugal, bem como uma “total falta de sensibilidade para com as necessidades específicas das crianças e jovens que o integram”. 

Nesse sentido, a federação repudia qualquer tentativa de desvalorização ou de discriminação da educação especial, e reafirma a defesa de uma educação onde “a inclusão e a igualdade de oportunidades sejam uma realidade”.

Bloco de Esquerda (BE) e Partido Socialista (PS) reagiram durante o plenário às declarações do deputado João Tilly. Também o Movimento Cidadão Diferente (MCD) e a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) já repudiaram as declarações.

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