As doações a Harvard, por parte de antigos alunos e amigos, atingiu um recorde, este ano, confirmou a instituição de ensino, avança a agência noticiosa Reuters, mesmo num contexto em que a administração norte-americana, presidida por Donald Trump, ameaçou cortar o financiamento à universidade, e restringir a entrada de estudantes estrangeiros, acusando a instituição de ensino de promover prática antissemitas no âmbito da guerra existente em Gaza.
A instituição de ensino norte-americana confirmou que recebeu 600 milhões de dólares (514,3 milhões de euros à taxa de câmbio atual) em doações irrestritas de antigos alunos e amigos, o que constitui um recorde.
Harvard viu também o seu valor patrimonial valorizar-se no último ano fiscal.
No ano fiscal de 2025, o valor do fundo patrimonial de Harvard atingiu os 56,9 mil milhões de dólares (48,7 mil milhões de euros), um crescimento de quase quatro mil milhões de dólares (3,4 mil milhões de euros) face aos 53,2 mil milhões de dólares (45,6 mil milhões de euros) do ano fiscal anterior. Os dados da Reuters referem que a unidade de investimento da instituição de ensino superior norte-americana, a Harvard Management Co, teve um retorno de 11,9%, neste ano fiscal, que teve término a 30 de junho, superando a sua meta de 8%.
O diretor executivo da Harvard Management, N.P. Narvekar, justificou estes resultados pela “criteriosa seleção de gestores”, numa carta transcrita pela Reuters. Já o presidente de Harvard, Alan Garber, adiantou que a instituição se vai “continuar a adaptar à incerteza e às ameaças às fontes de receita”.
Governo ameaçou cortar financiamento
Esta valorização da Harvard surge num contexto em que a administração norte-americana já ameaçou cortar o financiamento à instituição e restringir a matrícula a estudantes estrangeiros. O governo norte-americano acusa a organização de fomentar o antissemitismo nas suas instalações em plena guerra em Gaza.
Durante o decorrer deste ano o governo, presidido por Donald Trump, já tinha congelado mais de 2,6 mil milhões de dólares (2,2 mil milhões de euros), em fundos federais para a investigação em Harvard. Caso existisse um impedimento das matrículas de estudantes estrangeiros, em Harvard, isso teria impacto na atividade da instituição de ensino. Isto porque, tendo em conta os dados da Reuters, a universidade conta com mais de sete mil portadores de vistos sendo que 27% dos estudantes matriculados, só este ano, eram internacionais.
Perante as ameaças da administração norte-americana Harvard decidiu recorrer aos tribunais.