“A diversidade de género é benéfica para os resultados de uma empresa”, diz Julie Bech, co-portfolio manager da Nordea Asset Management (NAM), em entrevista ao Jornal Económico, abordando o papel do Nordea 1 – Global Gender Diversity Fund na promoção da diversidade nas empresas.
Segundo a mesma responsável, essa correlação é explicada, em parte, pelo “alargamento da reserva de talentos”. “A nível empresarial, o capital humano é algo com que uma empresa pode realmente lucrar e que é muito difícil de replicar pelos concorrentes. Há uma grande procura pelos melhores talentos, por isso, se uma empresa conseguir criar oportunidades iguais para todos, terá um leque mais alargado de escolha”, analisa.
De acordo com Julie Bech, a garantia de igualdade de oportunidades para os trabalhadores dá às empresas “vantagem em relação aos concorrentes, que não terão o mesmo potencial de crescimento”. As organizações estarão mais bem preparadas para “manter e facilitar o desenvolvimento dos seus melhores talentos” ao seguirem “uma abordagem objetiva à progressão dos colaboradores”.
“Da mesma forma, quando uma empresa contrata externamente, o conjunto de candidatos talentosos é simplesmente maior se incluir todos os candidatos disponíveis. Existem vários estudos que demonstram que a diversidade de género é benéfica para os resultados de uma empresa: este facto deve-se, entre outras coisas, a esse alargamento da reserva de talentos”, explica, ainda, a manager da gestora de ativos.
Numa análise demográfica, Julie Bech explica que “nos países desenvolvidos com uma população envelhecida, como o Japão, os estudos mostram que uma maior diversidade de género na força de trabalho aumenta o PIB”.
“Devido a diferenças históricas e culturais, existem grandes variações entre sectores e países no que diz respeito à diversidade de género. De um modo geral, os mercados desenvolvidos estão mais avançados do que os mercados emergentes, mas em ambos existem também grandes disparidades. Países como França, Noruega e também Austrália têm percorrido um longo caminho, ao passo que o Japão está muito atrasado”, continua.
Em termos de representatividade por área, o sector dos cuidados de saúde e o financeiro lideram quanto à “diversidade nos níveis superiores de liderança”, como também “em patamares mais operacionais”. Por outro lado, os sectores “materiais e industriais estão geralmente atrasados em relação ao mercado global em termos de diversidade em vários níveis superiores de liderança”. Segundo a mesma responsável, a diversidade na força de trabalho é também mais baixa nesses sectores.
Em declarações ao JE, a propósito do Dia Internacional da Mulher, Bech abordou ainda o papel do Nordea 1 – Global Gender Diversity Fund na promoção da diversidade nas empresas.
O trajeto da NAM na análise ESG não é recente. “Com o evoluir dos métodos de análise, passámos de nos centrar na mitigação de risco para descobrir oportunidades de investimento usando a análise ESG como uma medida de seleção positiva para selecionar empresas. Uma dessas oportunidades gira em torno da diversidade de género numa organização”.
No ano passado, em termos de operação, a Nordea AM tornou o “envolvimento com as empresas investidas uma componente essencial da estratégia”, alargando o “universo de investimento”. “Este ângulo do envolvimento permite-nos não só investir nas melhores empresas da sua classe em matéria de D&I, mas também procurar os líderes do amanhã neste tema. Assim, procuramos maximizar o impacto, bem como desbloquear o potencial, de um maior número de empresas”, justifica, acrescentando que, “nos últimos anos, o maior enfoque da sociedade na diversidade levou a que mais empresas comunicassem as suas variáveis de diversidade de género, o que tornou possível esta estratégia”.
Sobre o processo de envolvimento, este baseia-se na abordagem “4 Milestone” da Nordea AM. “O primeiro passo consiste em criar expectativas ao nível adequado com a empresa. O segundo passo é alcançado quando a empresa reconhece as nossas expectativas e encara a necessidade de tomar medidas. O terceiro ponto é atingido quando a empresa toma medidas para satisfazer as expectativas ou se compromete a cumpri-las dentro de um prazo claro. E, por fim, o último objetivo é alcançado quando a empresa entrega o resultado relacionado com as expectativas estabelecidas”, explicou.
Sobre a estratégia de sustentabilidade das empresas relacionada com a questão da diversidade, Julie Bech defende que “os investimentos sustentáveis desempenharão um papel importante no futuro”. “As empresas dispostas e capazes de investir os recursos adicionais para garantir a diversidade beneficiarão dessas ações”, finaliza.