Professor do Técnico desenvolve tecnologia para tornar invisíveis drones e aviões de guerra

Este material serve para tornar invisíveis drones ou aviões de guerra, aos olhos dos radares, permitindo a intrusão em território inimigo sem ser detetado.

Professor do Técnico desenvolve tecnologia para tornar invisíveis drones e aviões de guerra
Técnico @Pixabay

Um professor do Instituto Superior Técnico (IST) em Lisboa desenvolveu uma tecnologia para tornar invisíveis aviões e drones. A empresa GTechPlasma é uma spin-off do IST e foi criada para produzir grafeno e N-grafeno, um material com uma espessura fina, mas com grande resistência, sendo um excelente condutor de calor e de eletricidade.

Este material serve para tornar invisíveis drones ou aviões de guerra, aos olhos dos radares, permitindo a intrusão em território inimigo sem ser detetado.

“Uma das aplicações mais óbvias é na defesa . Para coatings absorventes de radar, para tornar os veículos mais difíceis de detectar . Mas também tem aplicações civis como blindagem eletromagnética. A vantagem do nosso material é que absorve significativamente numa gama larga de frequência mesmo mantendo uma espessura fina”, disse ao JE Bruno Soares Gonçalves, professor e investigador na área da energia nuclear.

Entre os equipamentos que podem usar este manto de invisibilidade incluem-se “drones (aéreos ou marítimos), mas na realidade qualquer um que precise reduzir a assinatura de radar. Estamos neste momento a explorar as várias opções de integração do material. Nesta fase inicial estamos a apontar para coatings/pinturas”

“O processo é único, baseado numa máquina de plasma que produz grafeno e variantes de grafeno (que podemos dopa), com 8 patentes concedidas (Europa, Japão, EUA) e uma ainda pendente nos EUA”, explicou o presidente do Presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear.

A empresa já licenciou a sua tecnologia à Plasmaphene que está a construir uma fábrica em Vila Viçosa, distrito de Évora, num investimento de 7,5 milhões de euros. A empresa vai usar a tecnologia da GTechPlasma para produzir grafeno e n-grafeno, com a spin-off do IST a estar “focada nos produtos ‘dual use’ e de valor acrescentado”.

“Para alem do material para blindagem eletromagnética, do grafeno de elevada qualidade e N-grafeno de elevada qualidade, temos vindo a explorar muitas outras aplicações, com materiais ligeiramente diferentes). Por exemplo: material que absorve urânio e terras raras de forma seletiva e eficiente, armazenamento de hidrogénio em estado sólido (mais eficiente que os hidretos metálicos. O sonho é chegar a uma botija/tanque que armazena hidrogénio a temperatura ambiente e o liberta para uma célula de combustível, apenas com um ligeiro aquecimento, conversão deCO2 em metano, e várias outras ideias que estamos a explorar a viabilidade científica e económica. Tudo é possível com um só dispositivo mudando a receita”, explicou ao JE.

O professor explica que os inventores são investigadores do IPFN/IST, com a propriedade intelectual a ser do IST que faz o licenciamento exclusivo à GTechPlasma que já foi alvo de um primeiro investimento por parte da Portugal Ventures.

Ao mesmo tempo, o material “tem vindo a ser melhorado no âmbito de um projeto da NATO”.

Em termos de financiamento, o projeto teve origem num projeto financiado pela European Innovation Council (Future Emerging Technologies), o “que permitiu escalar para um protótipo a escala industrial” (no valor de 4 milhões de euros). O projeto NATO tem um financiamento de 400 mil euros e ainda houve um projeto da FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia de 200 mil.

“O método é ambientalmente sustentável e garante a produção de grafeno e derivados de muita alta qualidade em oposição a muito do grafeno que existe no mercado que. apesar de dizerem que é grafeno de qualidade. em muitos casos é apenas óxido de grafeno (tem muito oxigénio) ou grafeno com muitas camadas (onde muitas das propriedade excepcionais do grafeno não se materializam)”, afirmou.

“O nosso material para esta aplicação é especial porque é à base de N-grafeno (grafeno dopado com azoto) e dopado com múltiplos óxidos metálicos para dar as propriedades corretas. E fazemos isto num só passo no nosso dispositivo”, acrescentou.

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