A Ucrânia adotou uma estratégia pouco habitual na abordagem à guerra com a Rússia, mais precisamente no que diz respeito a infraestruturas ligadas ao mercado petrolífero. O objetivo passa por evitar a escalada dos preços da energia, mas a incerteza mantém-se no mercado.
Em causa estão os ataques efetuados com drones às refinarias de petróleo situadas em território russo, ao invés de atacar, por exemplo, os depósitos de armazenamento, ou os portos envolvidos na exportação de produtos petrolíferos. A explicação para esta estratégia do lado ucraniano passa, mais do que por motivos militares, por vertentes económicas e até de política internacional.
Isto porque estes ataques vão interferir com as receitas russas ligadas ao mercado petrolífero, mas sem impactar em larga escala as negociações por barris de petróleo em todo o mundo. Nessa medida, evita-se um regresso às pressões inflacionistas por via da subida dos preços da energia que, posteriormente, se repercutem numa série de outras esfera globais.
Por outro lado, evita-se também um impacto mais forte nas eleições presidenciais norte-americanas, que estão agendadas para novembro de 2024. Um fator que se tornou mais evidente com as críticas deixadas por Biden, em março, ao facto de as forças ucranianas estarem a atacar refinarias russas.
Ora, no caso de uma escalada do conflito levar a nova subida dos preços praticados no comércio de produtos petrolíferos, o atual presidente dos EUA, que é novamente candidato, seria um dos principais candidatos. De recordar que o adversário de Joe Biden será, com grande probabilidade, o seu antecessor no cargo, Donald Trump.
Certo é que os preços praticados no mercado petrolíferos continuam a ser protagonistas de grande incerteza, em face do cenário também incerto que envolve a guerra entre russos e ucranianos.
Nas negociações, verificam-se máximos de quase meio ano, já que desde outubro do ano passado que o barril não estava tão caro. Uma tendência válida tanto no caso do Brent, que está a ser negociado próximo dos 90 dólares, como no do crude, que ronda os 85 dólares por barril.