Pedro Amaral Jorge, Presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN)

Como os países da UE estão a reduzir os fósseis e a apostar nas renováveis

A transição energética já não é apenas sobre travar o aquecimento global. É, cada vez mais, sobre segurança de abastecimento, transações justas, preços comportáveis e autonomia energética.

A maioria dos países da União Europeia (UE) está a planear utilizar cada vez mais energias renováveis para produzir eletricidade, em detrimento dos combustíveis fósseis.

Uma análise conjunta do think tank EMBER (Coal to Clean) e do CREA (Centre for Research on Energy and Clean Air) revela que, até 2030, a eletricidade não renovável nos Estados-membros da União Europeia deverá decrescer cerca de um terço, passando dos atuais 867 TWh para os 595 TWh.

Em resposta à crise do preço do gás natural e à ilegítima invasão da Ucrânia por parte da Rússia, 19 Governos europeus lançaram planos para acelerar a descarbonização. A ambição da transição energética tomou outras proporções.

A Alemanha elevou a fasquia e anunciou que, em 2030, quer atingir 80% de eletricidade gerada a partir de renováveis – quando o objetivo inicial era chegar aos 65%. Já os Países Baixos preveem dobrar a instalação eólica offshore para 21 GW até 2030, e França pretende atingir os 100 GW em parques solares até 2050. Portugal surge na linha da frente com a ambição de chegar aos 80% de eletricidade renovável em 2026.

A Europa está, assim, a dar respaldo a uma alteração, sem precedentes, do paradigma energético abrindo caminho para um modelo mais transparente, mais limpo, mais saudável e mais seguro.

Esta visão está consubstanciada na estratégia energética europeia REPowerEU, que aumentou a meta de consumo final de energia a partir de fontes renováveis dos atuais 40%, previstos no pacote FIT for 55, para os 45% até 2030, e estabeleceu uma meta de eficiência energética de 41% face aos 36% estipulados anteriormente.

A transição energética já não é apenas sobre travar o aquecimento global, cujas consequências já se fazem sentir de forma inequívoca. É, cada vez mais, sobre segurança de abastecimento, transações justas, preços comportáveis e autonomia energética.

O aumento da eletricidade produzida a partir de energia eólica onshore e offshore, da energia solar e a proliferação dos gases renováveis, como o hidrogénio verde, que estes países estão a impulsionar, ajudará certamente a evitar que ocorram outras crises energéticas, sociais e humanitárias como a que se vive atualmente.

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