Portugal classificada entre as economias com menor risco do mundo

Na Europa, Portugal surge com a classificação A2 (risco baixo) com Espanha, Países Baixos, Bélgica e Suécia — os únicos países europeus com esta avaliação — enquanto grandes economias como Alemanha, França e Reino Unido permanecem na categoria A3 (“risco satisfatório”).

Portugal classificada entre as economias com menor risco do mundo
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Portugal surge entre as economias mundiais com menor risco do mundo, no último relatório divulgado pela Coface, empresa líder global especializada em seguro de crédito comercial e gestão de risco para empresas.

Na Europa, Portugal surge no grupo dos classificados com A2 (risco baixo), a par da Espanha, Países Baixos, Bélgica e Suécia — os únicos países europeus com esta avaliação — enquanto grandes economias como Alemanha, França e Reino Unido permanecem na categoria A3 (“risco satisfatório”).

A lista da Coface é atualizada a cada quadrimestre e analisa o risco de incumprimento das empresas em 160 países, com base em indicadores macroeconómicos, financeiros, políticos e de insolvência empresarial. As economias são classificadas em oito níveis de risco: A1 (“muito baixo”), A2 (“baixo”), A3 (“satisfatório”), A4 (“razoável”), B (“razoavelmente alto”), C (“alto”), D (“muito alto”) e E (“extremo”).

Ao nível internacional a Coface reduziu a classificação de risco de oito países. “Entre eles destacam‑se a Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietname que descem de A4 para B, tal como o Kuwait. A Tanzânia desce de B para C, enquanto Camboja e Madagáscar descem de C para D. Estas revisões refletem o maior impacto que o conflito no Médio Oriente e as tensões sobre o fornecimento energético estão a ter nas economias mais expostas”, refere a empresa.

“Fora da Europa, Portugal partilha a classificação A2 com outras economias desenvolvidas como Estados Unidos, Japão e Austrália, reforçando o seu posicionamento entre os países com menor risco para a atividade empresarial num contexto internacional marcado pela incerteza”, explica a mesma organização.

O conflito no Médio Oriente, o aumento dos preços da energia, as tensões comerciais e condições financeiras mais restritivas foram alguns dos motivos que levaram a mudanças nas classificações de risco das economias.

“Neste contexto, Portugal mantém a sua posição de risco país em A2 (risco baixo), consolidando‑se entre as economias desenvolvidas com melhor perfil de risco. A economia portuguesa tem sido, inegavelmente, há vários anos, uma das mais dinâmicas da zona euro, a par da espanhola. Esta tendência confirmou-se com a recuperação da atividade no segundo trimestre de 2026 e o regresso a valores de crescimento do PIB muito sólidos: +0,8% em termos trimestrais, muito acima dos +0,2% registados na Alemanha, em França e em Itália”, explica a Coface.

Este dinamismo é explicado “principalmente pelos fundos europeus e pelo consumo das famílias”. O consumo das famílias “é sustentado” por uma taxa de desemprego (5,6%) no nível mais baixo desde 2001. “A importante imigração dos últimos anos desempenha um papel crucial nesta dinâmica: representou 47% dos novos postos de trabalho nos últimos 12 meses”, acrescentou a empresa.

“Os indicadores de confiança continuam muito bons no retalho, na construção e nos serviços. Apesar do contexto pouco favorável ao transporte aéreo, o turismo mantém-se dinâmico (+3% em maio) e parece beneficiar, à semelhança da Espanha, de uma imagem de «destino seguro». Em contrapartida, a indústria transformadora continua a ser o calcanhar de Aquiles da economia portuguesa: a produção industrial encontra-se exatamente ao mesmo nível de há três anos, 5% abaixo do registado em meados de 2022. Estes resultados mistos, longe de serem uma exceção na zona euro, explicam-se, nomeadamente, pelas dificuldades enfrentadas nos últimos anos pelos importantes setores da química, do vestuário, do mobiliário e do automóvel”, considera a Coface.

Neste contexto, que “continua a ser favorável” para a maioria dos setores portugueses, as insolvências de empresas “mantêm-se abaixo” do nível registado antes da pandemia (-8%), o que constitui uma exceção notável na Europa”, salienta a empresa.

Apesar disso a Coface acrescenta que embora a economia portuguesa “deva moderar” o seu crescimento durante 2026, “continuará a apresentar um comportamento sólido, apoiado pelo consumo privado e pelo investimento, situando‑se entre as economias com melhor desempenho” da zona euro.

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