O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5%, no primeiro trimestre, de acordo com o gabinete de estatística chinês, apesar do conflito, que se iniciou em fevereiro, entre Estados Unidos, Israel e Irão.
Trata-se de um crescimento mais rápido face à subida de 4,5% alcançada no quarto trimestre e fica acima das expetativas dos economistas consultados pela Reuters que anteviam um crescimento de 4,8%.
Apesar do crescimento acima do esperado pelos economistas o gabinete de estatística chinês, em comunicado transcrito pela CNBC, referiu que “devemos estar conscientes de que o ambiente externo está a tornar-se mais complexo e volátil”, dando conta de um “desequilíbrio agudo entre oferta forte e procura fraca”.
Analistas consideram que a China deverá resistir aos impactos de curto prazo da guerra, que entra na sétima semana, mas alertam para riscos a médio prazo, incluindo o abrandamento da procura global por exportações chinesas.
O aumento dos preços da energia, impulsionado pelo conflito, está a pressionar a inflação e o crescimento económico global.
“A China pode provavelmente absorver perturbações de curto prazo, mas uma guerra prolongada e preços elevados da energia durante mais tempo deverão começar a afetar o crescimento na segunda metade do ano”, afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do banco ING.
A prolongada crise no setor imobiliário continua a afetar a confiança de consumidores e investidores, embora o país tenha alcançado no ano passado um crescimento de 5%, sustentado por exportações robustas que elevaram o excedente comercial para um nível recorde de cerca de 1,2 biliões de dólares (mais de um bilião de euros), apesar das tarifas impostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“A ausência de uma resolução rápida para a guerra no Irão deverá penalizar o crescimento global, o que afetará negativamente a capacidade de outras economias para absorver exportações chinesas”, afirmou Eswar Prasad, professor da Universidade de Cornell, citado pela agência Associated Press.
Na terça-feira, a China divulgou que as exportações cresceram 2,5% em março, em termos homólogos, desacelerando face aos dois meses anteriores.
Segundo Prasad, num contexto em que os países procuram proteger as suas economias dos efeitos do conflito, “a procura por importações chinesas está claramente a diminuir”.
Economistas consideram que a China poderá ainda atingir a sua meta de crescimento deste ano, “entre 4,5% e 5%”, através de estímulos políticos, mas alertam que um aumento do investimento público poderá intensificar pressões deflacionistas e reforçar a dependência das exportações, caso a procura interna não recupere de forma significativa.