Celebrar a diversidade das culturas francófonas na Festa da Francofonia 2023

Treze países da francofonia convidam o público português a descobrir toda a programação da Festa da Francofonia, que em março vai celebrar a diversidade cultural, gastronómica e artística dos países que partilham a língua francesa.

Celebrar a diversidade das culturas francófonas na Festa da Francofonia 2023
Dany Laferrière

Março é o mês da língua francesa e da francofonia e, como tal, o mês de eleição para a Festa da Francofonia em Portugal. A programação foi apresentada esta manhã, envolvendo representantes dos países membros da OIF – Organização Internacional da Francofonia, como as Embaixadoras do Canadá e Luxemburgo, Élise Racicot e Martine Schommer, que sublinharam a importância deste evento enquanto celebração da diversidade, da partilha de interesses comuns e da solidariedade. Isto sem perder de vista a importância de aproximar o público português da francofonia.

A edição de 2023 é igualmente especial por contar com um novo país nas celebrações da francofonia em Portugal: Cabo Verde. Este, estado membro da OIF desde 1996, junta-se à festa e oferece, em colaboração com a Embaixada do Luxemburgo, uma noite festiva no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa, a 18 de março.

Ângela Barbosa, gestora do Centro Cultural de Cabo Verde destacou a importância dos convites e parcerias que permitem divulgar a cultura cabo-verdiana, cuja diáspora tem especial relevo em todo o mundo e, em particular, no mundo francófono. Daí a decisão de celebrarem esta ligação apresentando um concerto – “Canções francesas – com cores de Cabo Verde”, interpretado por um pianista e duas cantoras – que é, acima de tudo, um diálogo entre a chanson française e o legado musical de Cabo Verde, a realizar no dia 18 de março, no Centro Cultural de Cabo Verde. O evento será seguido de uma receção gastronómica onde o público poderá saborear as especialidades de todos os países da Francofonia.

A Roménia tem também um lugar de destaque nesta edição da Festa, numa homenagem aos 30 anos de adesão à OIF. E que será celebrada, dia 23 de março pelas 18h no Museu Nacional do Azulejo, com um concerto de música clássica interpretado por uma dupla franco-romena: a violinista romena Clara Cernat acompanhada pelo compositor e pianista francês, Thierry Huillet. Mihaela Toader, vice-diretora do Instituto Cultural Romeno Lisboa, frisou na ocasião, o empenho do seu país na celebração da “Francofonia do Futuro”, enquanto veículo de diálogo, dos valores democráticos, da diversidade cultural e da paz.

Ainda na vertente musical, está previsto um concerto no dia 16 de março do artista congolês-canadiano, Pierre Kwenders, na Casa Independente em Lisboa. O fundador do grupo Moonshine Collective, de Montréal, irá cruzar diversos géneros musicais, desde a pop e house à música afro-eletrónica e hip hop, passando pelo rap e R&B. O músico venceu o prémio Polaris Music Prize 2022 com um álbum que nasceu num “pequeno estúdio em Lisboa”. Kwenders convocou amigos de Portugal para o ajudarem a desbloquear uma nova ginga no seu som e lançou em abril do ano passado “JLATPOL”, onde Branko e PEDRO assumem um papel de relevo ao nível da produção, a par de alguns inputs outros instrumentistas nacionais, como EU.CLIDES, cuja guitarra brilha no tema “Sahara”.

Da esfera musical para a esfera literária, que todos os anos ocupa um lugar importante no programa, nesta edição da Festa da Francofonia estará em destaque o escritor, jornalista e membro da Academia Francesa, Dany Laferrière, que dará uma conferência na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, em Lisboa, no dia 20 de março.

O autor nasceu no Haiti e começou a sua carreira como jornalista em Port-au-Prince. Num país nas garras do ditador Baby Doc, o exílio tornou-se rapidamente um assunto de família: filho de um exilado político, e na lista negra das milícias, fixou-se no Canadá em 1976, depois do assassínio de Gasner Raymond, seu colega e amigo. Está publicado em Portugal pela Antígona, em dose dupla: “O Grito dos Pássaros Loucos” e “Como Fazer Amor com um Negro sem se Cansar”.

No Porto, a FLUP – Faculdade de Letras da Universidade do Porto, vai acolher, nos dias 20 e 21 de março, o sociólogo Frédéric Martel para duas conferências sobre a evolução da cultura nas nossas sociedades. Martel é um dos escritores franceses mais lidos da atualidade e reconhecido pesquisador da indústria criativa e da cultura digital, assim como autor do polémico best-seller do “New York Times”, “No armário do Vaticano”, editado em Portugal pela Bertrand, e de “Smart: o que você não sabe sobre a internet”. Atualmente, apresenta o programa Soft Power na France Culture da Radio France e escreve para a revista Slate.

O público jovem, como já vem sendo habitual, tem espaços dedicados na programação.

O Liceu francês Charles Lepierre, em Lisboa, traz uma nova edição dos seus podcasts sobre a juventude francófona, em parceria com escolas de Andorra, do Cabo-Verde e do Luxemburgo. E promove ainda uma grande operação “francófona” de limpeza de praias no dia 22 de março na Costa da Caparica, em colaboração com a Embaixada do Canadá e a associação Bandeira Azul.

Por ocasião dos 80 anos da publicação da obra “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, que integra o Plano Nacional de Leitura português, a APPF – Associação Portuguesa de Professores de Francês convidou um parceiro de eleição Le Théâtre du Héron, com quem colabora desde 2017, para apresentarem a peça “Le Petit Prince”, um musical dirigido a jovens e adultos, que estará em digressão por várias cidades portuguesas, nomeadamente, Aveiro, Lisboa e Porto.

Finalmente, para todos conhecerem melhor cada país do mundo francófono, as 10 Alianças Francesas em Portugal vão abrir as suas portas no dia 25 de março, das 11h00 às 18h00, para acolher as aldeias francófonas. Jogos, questionários e brindes estarão à espera dos visitantes.

Esta iniciativa conta com os países membros e observadores da OIF com representação diplomática em Portugal: Embaixada de Andorra; Embaixada do Cabo-Verde; Embaixada do Canadá; Embaixada da Costa do Marfim; Embaixada do Egito; Embaixada de França; Embaixada do Luxemburgo; Embaixada do Reino da Bélgica; Embaixada do Reino de Marrocos; Embaixada da Roménia; Embaixada da Tunísia, mas também a Oficina do Québec em Barcelona, os Institutos Culturais Francês, Romeno e o Centro Cultural do Cabo-Verde, com o apoio da Alliance Française de Lisboa, da APPF (Associação Portuguesa dos Professores de Francês), da APEF (Associação Portuguesa de Estudos Franceses) e do Lycée Français Charles Lepierre de Lisboa.

Pode ver aqui toda a programação da Festa da Francofonia.

 

Relacionado